Governo do Rio debate estratégia de atração de investimentos

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14/09/2007 | Ass. Imprensa
Atuação pró-ativa na atração de investimentos para o Rio de Janeiro, em substituição à tradicional postura passiva na recepção das demandas de empresas e excessiva ênfase na concessão de benefícios fiscais e financeiros. Esta foi uma das principais conclusões da oficina de debates sobre estratégias de atração de investimentos feita para representantes do governo estadual. Organizado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro com o apoio da Macroplan, o evento reuniu os secretários estaduais de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, da Fazenda, Joaquim Levy, e de Planejamento, Sergio Ruy Barbosa, dirigentes e consultores da Macroplan e especialistas e analistas independentes que debateram estudos e análises realizadas pela Macroplan e percepções coletadas pela consultoria através de 104 entrevistas com representantes do governo, terceiro setor e empresários. "Ao longo dos últimos anos os sucessivos governos do Rio de Janeiro deram demonstrações de insuficiente habilidade para atrair e reter investimentos produtivos privados no Estado. A falta de atenção a outros pontos de fundamental importância para a melhoria da competitividade do Estado - além do incentivo fiscal e financeiro - é uma das evidências desta situação", comentou o diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto. Boa parte do evento foi dedicada ao debate em torno de uma nova estratégia de atração de investimentos proposta pela Macroplan, com base nos estudos e pesquisas realizadas pela consultoria. No modelo apresentado, o governo deve tomar a iniciativa de identificar oportunidades de alcance estratégico, fazendo um mapeamento setorial e modelagem de negócios. Em muitos casos, a consultoria recomenda realizar uma pré-avaliação de viabilidade e busca de investidores potenciais. "Basear toda a estratégia em incentivos fiscais pode gerar perdas econômicas ao governo, proteger atores ineficientes e baixar os padrões de produtividade", ressaltou o diretor da Macroplan José Paulo Silveira. Silveira destacou ainda que as ações do governo não devem se limitar à atração de empresas. Segundo ele, para cada projeto privado o governo deve criar um outro "projeto gêmeo", que irá permitir o acompanhamento e atendimento às necessidade do investidor. Com este acompanhamento, o governo pode identificar e remover obstáculos ao investimento, ajudar a localizar fornecedores para demandas de material e serviços e, até mesmo, identificar e investir na formação de mão-de-obra necessária para o investimento em curso. "Esta nova proposta constitui uma mudança importantíssima no modo de atrair investimentos. O que está sendo proposto é uma postura pró-ativa e inovadora do Estado na atração de investimentos, inclusive para fazer face ao cenário de guerra fiscal", comentou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, durante o debate. O governo estadual ainda irá aprofundar as discussões em torno das mudanças que irá implementar na estratégia e organização para atração de investimentos, mas já ficou claro que, qualquer que seja o caminho adotado, os incentivos fiscais e financeiros ocuparão lugar secundário na atração e retenção de novos investimentos privados, para que que possam efetivamente gerar desenvolvimento do ambiente de negócios e crescimento econômico diversificado e geograficamente equilibrado.