Para garantir a continuidade de investimentos num cenário de crise é preciso buscar formas mais eficientes de captar e gerir os recursos financeiros. Dessa forma, é preciso pensar em maneiras diferentes de mitigar a escassez de recursos. Melhorias na estrutura de gestão e monitoramento de resultados, junto com o aumento da capacidades de cobrança, renegociação de isenções e subsídios e a gestão de ativos reais são estratégias chaves nessa empreitada. A cidade de Contagem (MG), por exemplo, estruturou uma unidade especial voltada para o monitoramento de projetos e captação de recursos com a perspectiva de ampliar a capacidade da gestão municipal mesmo em um cenário de crise. A cidade criou um núcleo de monitoramento, uma célula de inteligência formada por quatro integrantes capacitados para acompanhar os projetos desenvolvidos na cidade, que serviu de apoio aos gerentes de projeto responsáveis pela coordenação dos investimentos prioritários.
Parcerias com o setor privado também se mostram fundamentais no atual cenário econômico. Tradicionalmente, isso se dá através de privatizações e concessões, mas a experiência mostra que é possível inovar até mesmo na relação entre empresas e governo. Projetos públicos desenvolvidos em parceria com o setor privado podem reunir o melhor que ambos têm a oferecer. Um exemplo de sucesso é o de Campina Grande (PB), que contou com a participação do empresariado local e de entidades de classe em todas as fases de criação seu novo projeto estratégico, desde a captação de recursos junto a empresários locais até a criação de um comitê de gestão multisetorial que acompanhou a sua elaboração.
O atual cenário de escassez levará a gestão das cidades médias a repensar o tamanho da administração pública e seu papel na sociedade. No entanto, esta é uma excelente oportunidade para aumentar a eficiência e a produtividade das gestões municipais, reduzir os desperdícios de recursos e reinventar a forma que a prestação de serviços é percebida no Brasil. Em tempos de crise, é fundamental conciliar a eficiência técnica com a política.
"Não é possível fazer 'mais do mesmo' em um cenário de crise que não deve se alterar no curto prazo", afirmou o diretor da Macroplan Gustavo Morelli. "Fazer o que precisa ser feito, mas otimizando e priorizando a utilização de recursos sempre em sintonia com os desejos da sociedade. Precisamos fazer mais e, acima de tudo, precisamos fazer diferente".