11/07/2008
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Assessoria de Imprensa
A Macroplan reviu a projeção de 4,5% de crescimento da economia para 2009, à luz do novo cenário de desaceleração econômica internacional e aumento da inflação. O diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto, afirma que o PIB do próximo ano poderá encolher para uma taxa em torno de 3,5%. Porto disse também acreditar que a meta de inflação do governo para 2009, fixada em 4,5%, poderá não ser cumprida, por efeito simultâneo de demanda e de pressões de custo. Para a Macroplan, no final de 2008 a inflação provavelmente chegará a 7% para no ano seguinte recuar para uma faixa entre 6,0 e 6,5%, encostando na banda superior da meta de inflação. Durante seminário organizado pela Macroplan no Rio e Janeiro para um grupo de mestrandos da Universidade de Cambridge que veio estudar aspectos do desenvolvimento industrial brasileiro, Claudio Porto apresentou os quatro cenários econômicos para o Brasil para o horizonte 2008-2014 ("Salto para o futuro", "Crescimento inercial", "Travessia na turbulência" e "Baleia encalhada"). O presidente da Macroplan comentou que a deterioração do cenário externo, combinado às complicações internas, poderá alterar a classificação dos cenários quanto às suas probabilidades. Segundo ele, "Travessia na turbulência", no qual a economia avança com barreiras, apresentava no primeiro semestre do ano, 8% de chance de vingar e, no próximo ano, já pode se tornar o cenário mais provável . Questionado pelos acadêmicos de Cambridge sobre a possibilidade do País reagir a esta tendência, Porto respondeu que a propensão do governo de enfrentar os gargalos com medidas rápidas e de grande impactos é muito baixa este ano por conta das eleições municipais. Contudo, de acordo com ele, a tendência de concretização de um cenário mais pessimista ainda não pode ser confirmada. "Ainda é cedo para antecipar qual cenário vai prevalecer mas o que é certo, ou quase certo, é que neste 2º semestre e, principalmente em 2009, teremos menos crescimento econômico, pressão inflacionária, maior inadimplência e redução no consumo", afirmou. Na avaliação da Macroplan, a crise americana , o dólar "derretendo" no mundo inteiro, a forte elevação dos preços do petróleo e dos alimentos e a generalização da inflação tem contribuído para a deterioração do cenário externo e levando a um aumento das incertezas e da aversão ao risco, redução da liquidez internacional e pressões nos bancos centrais por aumento de juros. Internamente, a inflação em processo de expansão, a acentuação dos déficits em transações correntes e juros em ascensão são os grandes complicadores do quadro econômico. "Todas as aplicações financeiras no semestre perderam da inflação. A confiança está diminuindo. Aumenta o temor com o risco de reindexação. O país está tentando fazer um ajuste suave de baixo custo econômico, político e social mas, se o quadro piorar, terá que se preparar para uma travessia na turbulência", analisou o dirigente da Macroplan.