20/04/2015
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Macroplan
Brasília completa 55 anos com um perfil peculiar em relação às outras unidades da federação. Com a oitava menor população do país, apresenta a maior densidade demográfica e um crescimento populacional acelerado - o dobro da média brasileira entre 2000 e 2010. É, ao mesmo tempo, a melhor unidade da federação em uma série de indicadores, como escolaridade média, renda familiar e PIB per capita, mas também apresenta números preocupantes como a maior desigualdade de renda entre os estados brasileiros e a nona taxa de homicídios.
Uma análise da Macroplan apontou os principais desafios e oportunidades para o Distrito Federal nos próximos anos. Confira.
Seis desafios para o Distrito Federal
1) Dinamizar a economia
Com um PIB per capita de R$ 64,7 mil, o Distrito Federal tem quase o dobro do PIB per capita de São Paulo, segundo maior do Brasil, e cerca de três vezes a média nacional. Porém entre 2002 e 2012, o DF teve um dos menores crescimentos econômicos em termos reais.
No ranking de competitividade, também não tem avançado em termos relativos. Em 2013, ficou em 7ª colocação, uma posição abaixo da registrada em 2011. Ademais, a taxa de desemprego é a quarta maior do país, 9,2%.
2) Melhorar os investimentos em educação
O Distritto Federal apresenta os melhores indicadores educacionais da população adulta, entre as 27 unidades da federação. No entanto, a posição de liderança nacional não necessariamente se mantém nos indicadores que refletem a situação atual do sistema educacional e a trajetória recente deixa a desejar.
No Índice de Desenvolvimento da Educação (IDEB) do Ensino Fundamental II, o Distrito Federal não conseguiu melhorar a sua nota nas últimas três edições do IDEB. No Ensino Médio o Distrito Federal vem oscilando nas últimas edições do IDEB, alcançando em 2013 a mesma nota que obteve em 2007 (4,0).
3) Reduzir a desigualdade de renda
O Distrito Federal tem a maior desigualdade de renda, medida pelo Coeficiente de Gini, dos estados brasileiros. Como a renda é mal distribuída na capital federal, apesar de ter de longe a maior renda domiciliar per capita dos estados, não consegue ter o menor índice de pobreza, ficando em 7º lugar, com 8,4%. DF está atrás, por exemplo, do Estado de Goiás que possui a 9º maior RDPC e tem o 3ª menor indicador de pobreza.
4) Melhorar a segurança pública
Enquanto estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco reduziram a taxa de homicídios entre 2002 e 2012, o Distrito Federal apresentou crescimento de 12,1 %. O Distrito Federal era o 9º estado com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes, em 2012, a mesma posição que ocupava em 2002.
5) Mitigar problemas urbanos
Além da criminalidade, a mobilidade urbana e a habitação são as duas principais questões neste ponto. O tempo médio de deslocamento casa-trabalho tem apresentado uma trajetória ascendente desde 2005. Houve crescimento de seis minutos entre 2005 e 2013. Apesar de nacionalmente, o tempo médio de deslocamento de Brasília ainda ser bem inferior ao das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, em uma comparação internacional, o DF só perde para Xangai.
Já quando se trata de habitação, o Distrito Federal apresentou uma piora na habitação precária, enquanto que na média brasileiro houve avanço. O DF possui o 3º maior déficit habitacional em termos percentuais. Entre os anos de 2007 e 2012, apenas DF, Acre e Mato Grosso registram aumento do déficit. Em número absolutos, o DF foi o 2º maior aumento no déficit habitacional, atrás apenas do Acre.
6) Melhorar Gestão e Equilibrar as Finanças
É preciso recuperar a capacidade de investimento do DF, hoje dependente de operações de crédito. Avançar na profissionalização da gestão. Maior visão de longo prazo, definição de metas claras, qualidade dos projetos e dos processos e meritocracia, com foco na ampliação da capacidade de entregar serviço público de qualidade à população.
Cinco oportunidades para o Distrito Federal
1) Mercado Consumidor de alta renda
A renda média do trabalho na capital federal é de R$ 3 mil per capita mensais, o dobro da média brasileira. A proporção de pessoas que vivem com renda acima de 10 salários mínimos é mais de quatro vezes a brasileira. O Distrito Federal lidera os indicadores de carros por habitantes, linhas de celular, Internet, etc.
A existência deste mercado cria as condições para o desenvolvimento de um robusto e diversificado centro comercial e de serviços de porte regional capaz de ofertar bens e serviços em diferentes nichos.
2) Polo de serviços de alto valor agregado
O maior comprador individual do Brasil, o Governo Federal, está em Brasília. É demandante de uma gama de serviços e com um poder de compra que pode ser indutor de um sofisticado setor de serviços de alto valor agregado a exemplo de tecnologia da informação, comunicação e publicidade e serviços especializados (consultoria, advocacia, etc), capaz de atender, inclusive, demandas em outras regiões.
A localização no centro do país com voos diretos para todos os estados, também poderia firmar o DF como polo de serviços de alta complexidade, fornecendo, por exemplo, algumas especialidades de saúde e ensino, para suprir parte das demandas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
3) Integração regional
O Centro-Oeste é a região que mais cresce economicamente nos últimos anos. (dados) O Eixo Goiânia, Anápolis e Brasília tem vocações complementares. A economia da região amplia suas possibilidades de crescimento se for integrada. As oportunidades apresentam-se, principalmente, em três eixos principais: a consolidação do processo de industrialização, e de plataforma logística de alto desempenho, e o fortalecimento dos serviços orientados à produção agropecuária.
Neste campo para além da formulação o desafio é o de fazer acontecer, o que requer governança multi-institucional, que mobilize diferentes entes federados articulados a iniciativa privada.
4) Desenvolvimento do turismo cívico e de eventos
Brasília tem uma vocação para o turismo cívico e pode ser vista como o centro de eventos que reúna pessoas de todo o país, dado que possui o segundo maior aeroporto do Brasil (sendo o maior hub doméstico), a quinta maior oferta hoteleira do Brasil, com cerca de 60 mil leitos, e espaço para convenções e eventos integrados ao setor hoteleiro e parte central da cidade.
5) Fortalecimento da economia da cultura
Berço de importantes bandas de rock nacionais, Brasília reúne pessoas de todo o país, além de inúmeras representações de diferentes países criando um ambiente propício ao desenvolvimento de atividades relacionadas a cultura e gastronomia.