02/07/2014
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Macroplan
O mundo está cada vez mais urbano. As megacidades (aquelas com mais de 10 milhões de habitantes) se espalharam pelo mundo, expandindo-se para além dos países ricos e alcançando áreas anteriormente periféricas e tornando-se cruciais para garantir a competitividade de seus países e melhorias na qualidade de vida dos seus cidadãos. No entanto, o desenvolvimento desses centros urbanos esbarra em grandes desafios como pobreza, poluição, baixa produtividade e acesso aos serviços públicos essenciais.
"As cidades se tornaram o local onde as coisas realmente acontecem e conquistaram relevância geopolítica maior que a de seus países", afirmou o Diretor Associado da Macroplan, Glaucio Neves.
Pensando nisso, Neves levantou as oito linhas de desenvolvimento das cidades líderes globais em diferentes dimensões da qualidade de vida listadas a seguir. São tendências a serem seguidas por cidades que busquem um crescimento econômico e social mais sustentável.
1) Cidades com habitabilidade
"As chamadas 'cidades equivalentes' são aquelas que buscam garantir que em qualquer área da cidade haja condições adequadas de habitabilidade, ou seja, de moradia, acessibilidade ao transporte, serviços, comércio, equipamentos, serviços públicos, educação, saúde, cultura e amenidades.", afirmou Neves. "Viena, por exemplo, é uma cidade com alta habitabilidade por diversos motivos e ações que vão desde condições para práticas de caminhada e atividades ecológicas até a incorporação de tecnologias para aquecimento e refrigeração."
2) Cidades com elevado capital humano
"Atualmente, é no campo dos serviços avançados, das ideias e inovações tecnológicas que caminham as cidades mais desenvolvidas " o diferencial competitivo de uma economia com alto grau de sofisticação ocorre a partir da construção de um capital humano qualificado."
3) Cidades integradas
"A cidade Integrada é socialmente inclusiva.", disse Neves. "A conectividade é elemento central para melhoria da qualidade de vida, acesso aos serviços públicos básicos e às oportunidades de emprego e lazer. Numa cidade integrada, transita-se de um extremo ao outro em 30 minutos em transporte público."
4) Cidades prósperas e competitivas
"A competitividade é definida como um conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país. O nível de produtividade, por sua vez, determina o nível de prosperidade que pode ser alcançado por uma economia. Em outras palavras, uma cidade competitiva está mais apta a sustentar o seu crescimento. Nova Iorque é o melhor exemplo disso. A cidade, atualmente a mais competitiva do mundo, deve permanecer no posto nos próximos 10 anos"
5) Cidades e governança
"Estruturas política, administrativa e social estáveis são componentes necessários para a modernização econômica ou como pré-condições para promover um desenvolvimento humano sustentável. Em 2001, a cidade de Kyoto, no Japão, desenvolveu um plano diretor para orientar as ações do governo pelos dez anos seguintes. Foram criadas estratégias a partir da demanda dos cidadãos, como buscar o equilíbrio entre a vida profissional e social das pessoas, e estimular o desenvolvimento local e a participação."
6) Cidades inteligentes
"Ser uma cidade inteligente é alcançar a sustentabilidade ambiental, econômica e social através da integração sistemática de seu planejamento, projetos, operações e gestão.", definiu Neves. "Tal conceito engloba desde a gestão dos bens públicos e operações da cidade até uma melhor provisão de serviços e informações a seus habitantes.
7) Cidades sustentáveis
"O tripé da sustentabilidade visa suprir econômica, ambiental e socialmente as demandas de uma população em determinada rede urbana sem, com isso, comprometer a habilidade das futuras gerações em garantir suas próprias necessidades."
8) Cidades resilientes
"Resiliência é a capacidade de uma comunidade em suportar a pressão, sobreviver, se adaptar, se recuperar de uma crise ou desastre e seguir adiante. A resiliência é um produto coletivo, portanto precisa ser compreendida como um benefício social ao construir a habilidade de adaptabilidade e regeneração. A cidade de Ancona, na Itália, sempre foi vítima de deslizamentos de terra devido a sua geografia. Após estudos geológicos, a comunidade concluiu que não poderiam 'solucionar' o problema do deslizamento, mas sim 'aprender a conviver com ele' não removendo o risco mas adaptando e melhorando a gestão de risco.", concluiu Neves.
Por fim, Glaucio ressalta que estas são tendências globais observadas em diversas cidades de destaque no mundo, porém, dificilmente iremos encontrar uma cidade que possua todas estas características. Segundo ele, o importante é que os investimentos feitos sejam adaptados à realidade local de cada uma e que sejam orientados para um esforço de longo prazo, que ultrapasse os ciclos eleitorais e tenham sustentabilidade e apoio social.