7 passos para obter resultados na gestão pública

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18/10/2013 | Macroplan
Imagine que a administração pública é uma rua abaratada de carros em um contínuo engarrafamento. Em condições normais, é praticamente impossível passar por essa via sem que se perca muito tempo parado. É basicamente isso que a burocracia faz com boa parte dos projetos desenvolvidos pelo poder público no Brasil. "Entre a proposta e o resultado existe um longo caminho", afirmou o diretor associado da Macroplan, José Paulo Silveira. "Um caminho pautado por burocracia, por descontinuidade administrativa, influência de lobbys e políticas. É realmente muito difícil conseguir resultados no ambiente da gestão pública", ele conclui.


Silveira é uma autoridade reconhecida quando o assunto é eficiência em gestão pública, já tendo sido secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento e Orçamento. Foi essa experiência que ele levou ao Fórum Estadão Brasil Competitivo, realizado no final de setembro em São Paulo. No evento, ele defendeu, no entanto, que é perfeitamente possível que a implementação de projetos pela administração pública seja eficiente. Para isso, ele listou os sete critérios a seguir, que considera fundamentais para a eficiência da gestão pública.


1) Organizar a ação pública em forma de projetos


Pensar a ação pública como um projeto a ser implementado é uma das maneiras mais seguras de garantir sua eficiência, defende Silveira. Ele acredita que, desta forma, é possível definir aspectos fundamentais que devem ser mantidos e cumpridos ao longo de um trabalho.


"Projeto é um instrumento que define claramente o objetivo, as metas a serem alcançadas, a data de início, a data de fim, a programação física e a programação financeira", definiu Silveira. "E esses são elementos fundamentais de uma administração voltada para resultados", completou.


2) Definir UM gerente para cada projeto


Segundo Silveira, reduzir o número de responsáveis por cada projeto é fundamental. A diluição excessiva do poder de tomada de decisão ao longo de uma hierarquia pode reduzir a eficiência do processo e aumentar o tempo necessário para a resolução de problemas.


"É preciso definir quem são os gerentes porque a sociedade vai cobrar e é preciso direcionar a cobrança. É importante que a escolha dos gerentes seja por competência e não por uma questão de afinidade política", afirmou o especialista.


3) Condicionar o fluxo de recursos à execução do projeto


Pode parecer óbvio, mas não é o que costuma acontecer. Condicionando a entrega de verbas para a continuidade do projeto, garante-se as entregas. E, com o fluxo de investimentos garantido, as empresas mais competitivas são atraídas para sua realização, aumentando a qualidade e reduzindo custos.


"Projeto que anda, recebe recurso. Projeto que não anda, não recebe. Isso provoca uma competição interna e sadia entre os projetos, coisa que normalmente não acontece na administração pública e é fundamental para a eficiência de sua execução", avalia Silveira.


4) Mudar o conceito de monitoramento de projetos


É preciso alterar a noção de que monitoramento de projeto deve ser feito exclusivamente olhando-se para o passado. Silveira acredita ser muito mais vantajoso que gestores considerem os riscos e oportunidades que o projeto possa encontrar dali para frente e que podem afetar sua implementação.


"Tradicionalmente, o gestor recebe um relatório sobre como o projeto andou no mês passado. Isso não funciona no ambiente público, pois ele tem muitos entraves. Na administração pública, você deve monitorar olhando para frente, com um processo chamado análise de risco: quais são os aspectos que podem vir a atrapalhar o desenvolvimento de projeto", orienta.


5) Transparência


Dar ferramentas para que formadores de opinião e a população em geral possam acompanhar o processo é de extrema importante para sua realização. Não só porque permite que a sociedade veja de perto onde o dinheiro público está sendo investido, mas também porque ela é fundamental na cobrança de resultados.


"É preciso divulgar o que está sendo feito para que a sociedade civil, os tomadores de decisão, todos os envolvidos possam acompanhar e cobrar os resultados esperados de cada projeto. É preciso dar visibilidade", afirma.


6) Priorizar projetos fundamentais para evitar a diluição de esforços


É virtualmente impossível investir e comandar um número muito grande de projetos simultaneamente. Dessa forma, é importante priorizar certas iniciativas fundamentais.


"Nenhum governo consegue fazer tudo. Tem que se fazer escolhas, dar prioridade a projetos e promessas de campanha. Atender aos projetos de alto impacto e concentrar os esforços nessas prioridades", defende Silveira.


7) Apoio do Poder Executivo


Esses não são procedimentos comuns na gestão pública brasileira. Silveira defende que é preciso coragem para abandonar o modelo tradicional, cômodo porém ineficiente, para conseguir melhores e maiores resultados para a população.


"É preciso iniciativa por parte do poder executivo para alterar o modo com a gestão pública administra seus projetos. E isso é algo muito positivo para os governantes pois, no final das contas, resultados falam por si", avalia.