Falta um ano para o 1º turno das eleições presidenciais. 2014 ainda é uma página em branco, contudo, a agenda de desenvolvimento focada em questões econômicas a ser enfrentada pelos governantes já começa a ser escrita. Com 24 análises e sugestões de políticas públicas, o livro "Propostas para o Governo 2015-2018 - Agenda para um País Próspero e Competitivo" (editora Elsevier) será lançado dia 29 de outubro, no Rio. A obra, organizada pelos economistas Fábio Giambiagi (BNDES) e Claudio Porto (consultoria Macroplan), traz textos de 40 especialistas que apontam caminhos para um crescimento da economia - em um conceito mais abrangente, combinando critérios econômicos, sociais, ambientais e institucionais - em ritmo sustentado.
O livro parte das evidências que comprovam que entre 2003 e 2012 o país desfrutou anos de acúmulos de melhorias, consolidando a estabilidade, reduzindo passivos macroeconômicos, melhorando a distribuição de renda e acelerando o crescimento. Entretanto, as baixas taxas de investimento e poupança doméstica, investimento público insuficiente, forte crescimento do gasto de custeio público, elevada carga tributária e crescimento do produto potencial inferior às necessidades de crescimento evidenciam que o país fez menos que o mínimo necessário para se preparar para uma melhor inserção em um mundo crescentemente competitivo.
"Há um evidente risco de esgotamento do ciclo de crescimento iniciado em 2004", alertam os organizadores da obra. Na raiz de vários problemas encontra-se o fato de frações majoritárias das lideranças políticas terem abdicado de liderar a agenda de reformas, afirmam Porto e Giambiagi.
Os autores alertam ainda que o país já se ressente da ausência de um maior esforço e atenção em educação ao longo de várias décadas. O governo eleito em 2014, além de lidar com questões históricas pendentes, terá que solucionar novos temas, como o ambiental e a escassez de mão de obra qualificada. "A partir da próxima década a população em idade ativa declinará e a oferta de trabalho se tornará um constrangimento maior para o crescimento econômico", afirma Giambiagi.
"Sem políticas voltadas para a produtividade e a competitividade da economia brasileira, será difícil o Brasil retomar uma expansão anual ao ritmo de 4%", afirma Giambiagi. Para Porto, o desafio de elevar a produtividade nos próximos anos dependerá fundamentalmente de liderança política e melhoria da qualidade e solidez das instituições: "Quando conduzido por lideranças com visão de futuro e suportados por instituições confiáveis, os consensos são consolidados na sociedade e os problemas mais rapidamente superados", destaca.