Cidades do interior de São Paulo lideram ranking de boa gestão

[-] Texto [+]
11/09/2013 | Macroplan
Detalhes do desempenho da cidade de Jundiaí (SP) na pesquisa
Na lista de 100 melhores municípios compilada pela pesquisa "Desafios da Gestão Muncipal", elaborada pela Macroplan, as cidades médias tiveram destaque quando comparadas às capitais estaduais. O estudo - uma radiografia minuciosa do desenvolvimento econômico e social das 100 maiores cidades brasileiras - é resultado da análise de dados de 2000 a 2012 de sete áreas estratégicas para o desenvolvimento das cidades:  educação, saúde, saneamento, segurança, mobilidade/transporte, desenvolvimento e renda e gestão fiscal.


Se as cidades médias obtiveram os melhores resultados dentre todas as analisadas, as cidades do interior de São Paulo foram o principal destaque da pesquisa. A cidade de Jundiaí (SP) liderou o ranking, aparecendo entre as dez primeiras posições em metade dos indicadores avaliados (homicídios, PIB per capita, domicílios com saneamento, Índice trata Brasil, mortalidade infantil, analfabetismo e IDEB anos iniciais). Outros seis municípios paulistas figuram entre os dez melhores colocados na pesquisa: Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Piracicaba, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e Campinas.


O ranking evidencia a discrepância entre os municípios brasileiros das regiões Norte/Nordeste e Sul /Sudeste.  Entre o dez  piores do ranking, sete são de estados do Norte/Nordeste. A lista inclui ainda dois municípios do Rio de Janeiro  e um do Mato Grosso. Entre os bem pontuados, contudo, nem todas as áreas apresentam crescimento. É o caso de São José do Rio Preto que, embora ocupando a 8ª posição entre as melhores cidades, teve uma variação negativa  na evolução do IDEB dos anos finais entre 2007 e 2011 (-0,1).



Mesmo entre os municípios melhor colocados ainda se observa muito espaço para melhorias. São José dos Campos é o 56º em mortalidade infantil, Piracicaba tem apenas o 69º IDSUS da amostra, enquanto São José do Rio Preto tem apenas a 52º remuneração média. "Não se pode, portanto,  olhar para os municípios que estão no topo do ranking como modelos. Eles receberam a mais alta pontuação no somatório dos indicadores, apresentam bons desempenhos para os padrões nacionais em algumas áreas,  mas não têm necessariamente bom desempenho em todas as áreas. A fragilidade da gestão é um ponto comum a quase todos os municípios estudados. Ao mesmo tempo em que se identifica  passos na direção correta há um extenso campo para melhorias, especialmente quando a comparação é internacional", aponta o diretor da Macroplan e coordenador do estudo,  Gustavo Morelli.


A necessidade de melhoria fica evidente  também na comparação do desempenho dos municipais com os melhores padrões internacionais. A mortalidade infantil média do grupo das 100 cidades estudadas pela Macroplan é de 12,79,superior aos padrões definidos pela OMS (10/1000 nascidos vivos) e o dobro da verificada nos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE (6,46/1000 nascidos vivos). Entre as dez melhores do ranking nacional nenhum município alcança este patamar. Três deles apresentam taxas superiores a 10/1000 nascidos vivos.


"Há um enorme espaço de melhoria da gestão pública municipal. Esta é uma agenda ainda incipiente, fundamental para a competitividade do país e melhoria da qualidade de vida das pessoas, mas ainda na espera de lideranças e práticas consistentes na esfera municipal" analisa Gustavo Morelli.