20/06/2012
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Macroplan
Nas últimas décadas, o Brasil vem passando por um intenso processo de redistribuição produtiva do seu território. A interiorização do desenvolvimento e a valorização das vocações econômicas regionais são acompanhadas pela ascensão das cidades brasileiras de médio porte e pela criação de metrópoles no interior do país. Todo esse movimento acentua as particularidades de cada região: do agronegócio de alto valor agregado no Centro Oeste, ao adensamento do setor de bens de consumo não duráveis no Nordeste, passando pela crescente importância da biodiversidade e do aproveitamento energético na Amazônia.
Estas conclusões fazem parte do trabalho "Tendências Exploratórias do Desenvolvimento Regional no Brasil", apresentado pela
Macroplan para representantes de empresas do sistema Eletrobras. A apresentação analisa onze tendências de longo prazo sobre as regiões brasileiras, que permeiam os quatro cenários traçados para o Brasil no livro "2022". "As tendências analisadas são visíveis em todos os cenários, mas o tempo de maturação delas dependerá do ritmo dos investimentos públicos e privados, além de políticas públicas e regulatórias que influenciam a implantação de projetos", ressalta Andrea Belfort, consultora da
Macroplan que participou da elaboração do trabalho.
Veja e baixe a apresentação "Tendências Exploratórias do Desenvolvimento Regional do Brasil"
Dois movimentos já consolidados foram considerados nas projeções sobre as regiões brasileiras: a interiorização do desenvolvimento e o aumento do dinamismo do espaço geoeconômico nacional. "Investidores estão, progressivamente, reduzindo sua atuação nos grandes centros urbanos, ao mesmo tempo em que regiões como o Centro Oeste e Nordeste aumentam sua participação relativa na economia nacional", analisa a consultora.
Difusão de competitividade no Sul e Sudeste e adensamento de cadeias produtivas e inclusão social no Nordeste
As duas principais metrópoles do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, deverão formar a megalópole brasileira do futuro. A tendência é de desconcentração industrial para o interior dos estados, forte crescimento do setor de óleo e gás no litoral e crescimento dos setores ligados a conhecimento e inovação, como tecnologia da informação, biotecnologia e centros de pesquisa e desenvolvimento. "Essas cidades vão abrigar sedes de empresas de atuação global, inserindo Rio e São Paulo na rede global de metrópoles", prevê Andrea Belfort. Ela destaca ainda que as regiões Sul e Sudeste devem acompanhar com maior intensidade a tendência global de desenvolvimento das cidades médias, que cresceram 0,5% mais do que as grandes cidades, de acordo com o Censo 2010.
A indústria tradicional deve migrar para o Nordeste, que tem investido em complexos portuário-industriais, como no Porto de Suape (Pernambuco) e no Porto de Pecém (Ceará). Segundo Andrea, o aumento de empreendimentos industriais e logísticos ajuda a enfrentar o sério gargalo de competitividade da região: "O Nordeste vivencia um aumento do consumo pela classe C, em função de programas de transferência de renda, mas não tem avançado o suficiente no desenvolvimento do seu potencial competitivo, que é fundamental para atração de investimentos", sublinha a consultora. Ela ressalta ainda que o processo de interiorização do desenvolvimento deve ser bastante visível nos municípios nordestinos, em função de projetos de infraestrutura, como a Transnordestina, e da irrigação do semiárido.
Já o Centro Oeste destaca-se no cenário nacional com o crescimento do agronegócio, agregado à tecnologia, e a expansão desta atividade para o eixo Cuiabá-Rondonópolis-Palmas. "O aumento do PIB e do PIB per capita no Centro Oeste tem sido muito maior do que nas outras regiões, nos últimos anos", destaca Andrea.
Amazônia além da biodiversidade
A tendência de desenvolvimento ambiental do Norte brasileiro está intimamente ligada às potencialidades da Amazônia, que passam por criação de centros tecnológicos e de pesquisas associadas à biodiversidade. No entanto, para aproveitar essas oportunidades, é preciso investir na região. "Não estamos falando apenas de recursos financeiros e investimentos físicos, mas principalmente de melhoria do arcabouço institucional e regulatório, que permitirá avançar no desenvolvimento sustentável da Amazônia", ressalta a consultora.
A região também apresenta grande potencial para exploração energética, seja na exploração e produção de gás natural nas Bacias do Solimões e, mais recentemente, na Bacia do Parnaíba, ou nos investimentos hidrelétricos no sudoeste da Amazônia. Esta atividade deve aumentar o dinamismo econômico do Norte do Brasil, a partir do investimento em integração, logística e produção de energia no Rio Madeira e no Peru.
Mas para que todas as regiões brasileiras aproveitem as oportunidades Andrea aponta um grande desafio: a capacidade de gestão e implementação de investimentos, que determinam o ritmo do desenvolvimento. "O Brasil precisa superar um gargalo histórico que é a dificuldade para se realizar projetos estruturadores, fundamentais para o desenvolvimento regional", afirma a consultora da Macroplan.