Brasil pode ser liderança ambiental, afirma livro

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18/06/2012 | Macroplan
Tema central da conferência Rio +20, o debate sobre desenvolvimento sustentável também é abordado no livro "2022: propostas para um Brasil melhor no ano do bicentenário", organizado por Claudio Porto, sócio fundador da Macroplan, e pelo economista Fabio Giambiaggi. A obra analisa os dilemas associados à crise ambiental mundial e o papel do Brasil neste cenário, além de indicar desafios e metas para o país superar seus déficits ambientais.

No artigo "Brasil, emergente de baixo carbono e ambientalmente responsável?", de Elimar Nascimento e do diretor da Macroplan Alexandre Mattos, o livro destaca o dilema entre aumento da população mundial, e consequentemente do cosumo, frente à necessidade de preservação dos recursos naturais. Para os autores, esta dicotomia gera uma grande incerteza para a humanidade. "Seremos ou não capazes de sair do modelo industrialista de crescimento econômico para um modelo baseado no conhecimento, com uma economia de baixo carbono, que usa pouca energia, conserva o patrimônio natural e melhora a qualidade de vida da população?", perguntam no texto.

A reposta relevante para o mundo é a do Brasil. Segundo o livro, a megabiodiversidade encontrada nos ecossistemas da Amazônia e do Cerrado tem um papel essencial no equilíbrio climático global. Além disso, a pujança de recursos naturais coloca o país numa posição de destaque no cenário internacional. No entanto, para o Brasil se tornar uma liderança ambiental existem desafios urgentes a ser enfrentados.

O artigo coloca como prioridade a redução do desmatamento da cobertura vegetal, responsável por 80% das emissões de gases de efeito estufa do país (GEE) que estão diretamente ligados ao aquecimento global. A meta colocada pelos autores, até 2022, é de reduzir em 75% as queimadas, principais responsáveis pelo GEE e pela destruição da biodiversidade. Outra proposta para diminuir o lançamento de carbono à atmosfera é incorporar o custo dos gases de efeito estufa no preço dos combustíveis fósseis. Segundo o artigo, esta medida forçaria a reorganização de atividades dependentes destes insumos e estimularia inovações tecnológicas orientadas para a descarbonização da economia.

Para reduzir a poluição do sistema hídrico brasileiro, a meta seria universalizar a coleta de esgotos e proporcionar tratamento adequado em todas as 81 cidades com mais de 300 mil habitantes. "O sistema integrado de gestão de recursos hídricos (SIGRH), embora inteligente, não consegue resultados significativos em sua operacionalização. Há risco de poluição do aquífero Guarani e escassez de água na irrigação no Cerrado e, sobretudo, no abastecimento humano em algumas grandes cidades", alerta o texto.

Os autores colocam, entretanto, uma questão crucial para enfrentar a crise ambiental: promover uma mudança de cultura. "Há um sentimento de abundância que dificulta a adoção de práticas mais racionais no uso de recursos naturais, tanto na produção industrial quanto no espaço domiciliar". O artigo ressalta a necessidade de elevar o capital humano da sociedade brasileira para ampliar "a capacidade relativa do país em gerar riqueza a partir do capital conhecimento em relação ao capital natural".

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Leia a apresentação e o prefácio do livro "2022"