Claudio Porto fala sobre aplicação de royalties do petróleo

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10/10/2011 | Assessoria de Imprensa
Em entrevista à rádio CBN de Vitória, o presidente da Macroplan, Claudio Porto, antecipou algumas questão analisadas no estudo sobre aplicação de royalties de petróleo envolvendo 20 cidades entre São Paulo e o Espírito Santo e que será concluído em dezembro de 2011. "O que acontece nas cidades do petróleo, desde as mais antigas, como Campos e Macaé, até as mais recentes, como Linhares e Presidente Kennedy, são duas doenças: a primeira é a improvisação na aplicação destes recursos. E a segunda é a tentação do assistencialismo. Porto destacou que os  recursos deveriam ser aplicados na construção de desenvolvimento sustentável e de riqueza futura. "O fator crítico não é o financeiro, mas a tendência à má aplicação deste recurso", complementou em entrevista à rádio regional.

Na entrevista foram destacados os casos que vem sendo estudados pela Macroplan no Espírito Santo, como o município de Presidente Kennedy, de pouco mais de 10 mil habitantes e com uma economia de base rural, que vem atraindo investimentos importantes ligados às cadeias minero-siderúrgica e do petróleo. Apesar de  ter apresentado  um PIB per capita de quase 100 mil reais em 2008, Kennedy carece de saneamento básico - 62% dos domicílios não possui situação adequada de saneamento; 28% não tem nem lixo coletado - e os indicadores educacionais são muito baixos: 17% da população  com 10 anos ou mais ainda é analfabeta. "Percebemos uma ausência de um esforço mais estruturado", comentou Porto.  Linhares, outro município capixaba estudado pela Macroplan que tem recebido um volume expressivo de novos empreendimentos, exibe o 34º maior nível nacional de índice  de homicídios.

Para Porto é preciso um esforço de cooperação para aproveitar as oportunidades trazidas pelo petróleo e demais investimentos estruturantes. "Imaginar  que o governo municipal pode resolver isso sozinho é uma ilusão. Este é um desafio para o governo municipal, o governo do estado, o ministério público e também organizações do setor empresarial. Tem que haver uma governança que envolva os vários atores das esferas pública e privada para um trabalho de planejamento de longo prazo. É preciso investir na organização do espaço urbano; na atração e recepção organizada de empreendedores  privados e na profissionalização da gestão publica", concluiu Claudio Porto na entrevista.