Seria possível prever os atentados aos Estados Unidos?

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09/09/2011 | Macroplan
Foto: Steve Winter (National Geographic)/Getty Images
11 de setembro de 2001. Neste dia, duas equipes da Macroplan conduziam eventos de planejamento de longo prazo com base em cenários quando chegou a notícia sobre os ataques terroristas ao World Trade Center. No Rio de Janeiro, Claudio Porto e Andrea Belfort realizavam um workshop para um comitê de representantes das principais empresas de energia elétrica do Brasil. O país ainda sofria os efeitos do racionamento de energia, ocorrido no início daquele ano, e os estudos de cenários da Macroplan ajudariam as companhias a planejarem investimentos dos próximos dez anos.

"Era nosso primeiro encontro com o grupo e o objetivo era fazer um alinhamento conceitual e sobre as premissas do estudo de cenários. O trabalho foi interrompido para acompanharmos as imagens do incidente no World Trade Center. Foi um choque, mas retomamos o workshop e incorporamos os conceitos de níveis de imprevisibilidade à discussão com o grupo. Acabou sendo um exemplo real daquilo que estávamos apresentando conceitualmente", lembra Andrea.

A reação foi similar à da equipe da Macroplan que estava em Salvador, apresentando um estudo de cenários para a área de tecnologia do SENAI Bahia. "Aproveitamos para falar sobre as surpresas estratégicas, um conceito do estudo de cenários que tínhamos acabado de apresentar. À parte da consternação pela gravidade do fato, foi um motivador metodológico para o nosso trabalho", afirma o consultor Mauro Lourenço que estava à frente do trabalho, juntamente com a consultora Karla Régnier e Sérgio Buarque, parceiro da Macroplan.

Passados dez anos, os consultores avaliam que os cenários desenhados à época foram bem menos influenciados do que parecia ser inevitável à primeira vista, a não ser pelas mudanças no contexto internacional. "Os cenários previam uma variável de instabilidade política e, do ponto de vista estrutural, ela se manteve. No entanto, o fato de maior relevância foi a quebra da unipolaridade dos Estados Unidos, que abriu caminho para uma configuração multipolar do mundo após os atentados", analisa Sérgio Buarque.
Ilustração da metodologia Macroplan de estudos de cenários
Estudo de cenários antecipa tendências e reduz incertezas

Desde o fim da década de 90, análises prospectivas da Macroplan apontavam para a descentralização dos poderes políticos e econômicos no mundo. No entanto, esse processo foi acelerado após os episódios de 11 de setembro de 2001.

O presidente da consultoria, Claudio Porto, lembra que estudos de cenários já previam a possibilidade de ações terroristas, mas nunca com a magnitude e o poder de impacto do "11 de setembro". "A grande maioria dos decisores abandonava esta possibilidade em suas estratégias, pois era considerada muito pouco provável. Depois deste evento, os chamados cenários extremos começaram a ser mais utilizados para servir de base à formulação de estratégias de contingência. De certo modo, este foi um dos 'legados metodológicos' dos atentados", analisa.

A sensação de invulnerabilidade norte-americana parece ter desmoronado com as torres do World Trade Center. Andrea Belfort acredita que esta perda impulsionou os fatos que se desdobraram a partir dos atentados. Segundo a consultora, nos anos consecutivos, os Estados Unidos concentraram esforços e investimentos no combate ao terrorismo global enquanto questões internas, sociais e econômicas, ficaram em segundo plano. Isto contribuiu para a gestação da crise financeira de 2008, com repercussão mundial, da qual ainda hoje o país não se recuperou completamente.

As eclosões de ações de guerra e de novos atentados terroristas também eram desdobramentos esperados. No entanto, o próprio conceito de terrorismo se transformou a partir de 2001. As características deste "novo terrorismo" são analisadas no livro "Cinco Cenários para o Brasil 2001 - 2003", escrito por consultores e pelo presidente da Macroplan. Karla Régnier lembra que a produção desta obra foi adiada para receber um post scriptum sobre os atentados aos Estados Unidos. "O texto analisa o significado do '11 de setembro' além de apontar sinais e incertezas para os anos seguintes", explica.

Algumas incertezas se confirmaram e mapeá-las previamente foi uma forma de antecipar os impactos destas variáveis sobre planejamentos de logo prazo. Segundo Claudio Porto, esta é a natureza do estudo de cenários. "Em maior ou menor escala, os eventos surpreendentes sempre acontecerão. Mas, a partir de análises prospectivas, é possível antecipar conjunturas futuras, mesmo diante de um acontecimento com tal magnitude e imprevisibilidade como os atentados de 11 de setembro", afirma.

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Download do livro "Cinco cenários para o Brasil 2001-2003"

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