Estudo de cenários antecipa tendências e reduz incertezas
Desde o fim da década de 90, análises prospectivas da
Macroplan apontavam para a descentralização dos poderes políticos e econômicos no mundo. No entanto, esse processo foi acelerado após os episódios de 11 de setembro de 2001.
O presidente da consultoria,
Claudio Porto, lembra que estudos de cenários já previam a possibilidade de ações terroristas, mas nunca com a magnitude e o poder de impacto do "11 de setembro". "A grande maioria dos decisores abandonava esta possibilidade em suas estratégias, pois era considerada muito pouco provável. Depois deste evento, os chamados cenários extremos começaram a ser mais utilizados para servir de base à formulação de estratégias de contingência. De certo modo, este foi um dos 'legados metodológicos' dos atentados", analisa.
A sensação de invulnerabilidade norte-americana parece ter desmoronado com as torres do World Trade Center. Andrea Belfort acredita que esta perda impulsionou os fatos que se desdobraram a partir dos atentados. Segundo a consultora, nos anos consecutivos, os Estados Unidos concentraram esforços e investimentos no combate ao terrorismo global enquanto questões internas, sociais e econômicas, ficaram em segundo plano. Isto contribuiu para a gestação da crise financeira de 2008, com repercussão mundial, da qual ainda hoje o país não se recuperou completamente.
As eclosões de ações de guerra e de novos atentados terroristas também eram desdobramentos esperados. No entanto, o próprio conceito de terrorismo se transformou a partir de 2001. As características deste "novo terrorismo" são analisadas no livro "Cinco Cenários para o Brasil 2001 - 2003", escrito por consultores e pelo presidente da
Macroplan.
Karla Régnier lembra que a produção desta obra foi adiada para receber um
post scriptum sobre os atentados aos Estados Unidos. "O texto analisa o significado do '11 de setembro' além de apontar sinais e incertezas para os anos seguintes", explica.
Algumas incertezas se confirmaram e mapeá-las previamente foi uma forma de antecipar os impactos destas variáveis sobre planejamentos de logo prazo. Segundo
Claudio Porto, esta é a natureza do estudo de cenários. "Em maior ou menor escala, os eventos surpreendentes sempre acontecerão. Mas, a partir de análises prospectivas, é possível antecipar conjunturas futuras, mesmo diante de um acontecimento com tal magnitude e imprevisibilidade como os atentados de 11 de setembro", afirma.
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Download do livro "Cinco cenários para o Brasil 2001-2003"
Vídeo: Claudio Porto analisa cenários pós-crise (2009)
Artigo: "Estratégias em condições de incerteza" de Andrea Belfort
Conheça a metodologia Macroplan de estudo de Cenários