Experiência em visão de longo prazo

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25/08/2011 | Macroplan
A ameaça da índia Tuíra a José Antonio Muniz ficou registrada nesta foto histórica, divulgada em todo o mundo na época
No último dia 5, a Macroplan recebeu José Antonio Muniz para uma palestra direcionada aos profissionais da consultoria. Ex-presidente da Eletrobras, ele hoje ocupa o cargo de Diretor de Transmissão na empresa. Sua carreira, no entanto, se confunde com o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro e tem como principal marco o projeto da hidrelétrica de Belo Monte.

A proposta de construção da usina sempre foi motivo de debates. No mais emblemático deles, durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em 1989, José Antonio foi ameaçado pela índia Tuíra - protagonizando uma foto histórica. Mas, ao lado de outros grandes projetos, Belo Monte também lhe rendeu reconhecimento nacional. Ele admite que a visão de longo prazo foi elemento fundamental em sua trajetória profissional. "Grande parte do reconhecimento que tenho hoje se deve aos trabalhos de planejamento de longo prazo e aos estudos de cenários em que estive envolvido", afirma.

Com previsão de ser concluída em 2015, a hidrelétrica de Belo Monte começou a ser traçada por José Antonio ainda na década de 70, quando era presidente da Eletronorte. Em parceria com Claudio Porto, hoje presidente da Macroplan, o engenheiro liderou um extenso estudo de cenários para a Amazônia visando o horizonte 2020. "Este trabalho foi um dos primeiros estudos sócio-econômicos do Brasil no qual a questão ambiental começou a emergir de forma orientada", lembrou José Antonio.
José Antonio Muniz (à esquerda) ao lado de Claudio Porto, presidente da Macroplan: parceria em estudo de cenários pioneiro
Ele ainda ressaltou que o estudo foi um dos insumos para a concepção do chamado Complexo Hidrelétrico de Altamira, um parque de usinas baseado na Amazônia. "A ideia era ligar uma região carente com uma superavitária. O Governo tomou a decisão de construir a usina de Tucuruí para possibilitar a construção de polos produtores de alumínio e ligar esta hidrelétrica com o sistema baseado no Rio São Francisco. Era uma iniciativa inédita a ligação entre uma grande usina com hidrelétricas menores para que esse sistema enviasse energia do Nordeste para o Norte", explicou José Antonio.

A conclusão de todo o projeto de integração formaria o maior sistema de energia renovável do mundo. O trabalho liderado por José Antonio previu obras que ainda hoje estão em fase de análise. "O Complexo de Tapajós, a ligação Brasil-Venezuela e outros empreendimentos que agora estão sendo priorizados foram desenhados naquela época, com planejamento e visão de longo prazo", afirma o especialista.

Ele acredita que a integração energética da América Latina é um caminho natural e otimizará o potencial da região. "Vamos construir usinas com o Peru, que já está interligado com a Colômbia e esta, por sua vez, é interligada com toda a América Central. Vamos nos interligar também com Argentina, Bolívia e Uruguai. Será um processo de geração de valor para o continente como um todo, com a otimização de energia", explica.

Mas, segundo José Antonio Muniz, o Brasil ainda enfrenta um grande desafio interno - que tem a ver com seu trabalho à frente da Diretoria de Transmissão da Eletrobras: "Acho que a transmissão é o grande desafio do país. Energia não nos falta, mas a forma de distribuir ainda é deficiente", concluiu.