Perspectivas do mercado de trabalho e o emprego no setor elétrico

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10/05/2011 | Macroplan
Mapa indica aumento da participação das regiões Norte e Sul no emprego total do setor elétrico
No dia 3 de maio, profissionais de recursos humanos de companhias elétricas brasileiras puderam conhecer um panorama sobre o mercado de trabalho do setor. Adriana Fontes, consultora da Macroplan, apresentou a palestra "Perspectivas do Mercado de Trabalho", em encontro organizado pela Fundação COGE. Os dados foram levantados em estudo feito pela Macroplan sobre tendências para o mercado de trabalho.

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Na apresentação, Adriana mostrou que os serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP) registram baixo crescimento de empregabilidade nos últimos anos. Entre 2000 e 2009, o emprego formal no Brasil cresceu 57%, enquanto os SIUP tiveram aumento de apenas 33%, o menor de todos os setores da economia brasileira, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE).

As oportunidades geradas no setor elétrico foram ainda menores: crescimento de 18%, representando 31% dos empregos dos SIUP. A maioria dos empregos no setor elétrico (63%) estão na distribuição de energia elétrica e a geração é o segundo segmento mais representativo em termos de emprego.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram a lista de estados com mais oportunidades de emprego para o setor elétrico. No entanto, nos últimos cinco anos, as companhias elétricas estão contratando mais nas regiões Norte e Sul, em detrimento da região Sudeste. "É uma tendência que precisa ser monitorada por profissionais e empresas do setor, tendo em vista os investimentos previstos na cadeia produtiva.", alerta Adriana.

Renovação da mão de obra qualificada é um dos principais desafios

Em termos de idade, o setor elétrico absorve relativamente mais pessoas com faixas etárias avançadas e há uma forte inclinação de crescimento da proporção de profissionais com mais de 50 anos. Este comportamento acompanha uma tendência nacional que mostra o envelhecimento da força de trabalho e os jovens adiando a entrada no mercado para buscar qualificação.

Esse cenário apresenta grandes desafios para as companhias elétricas, uma vez que existem conhecimentos técnicos que não se adquirem com a formação acadêmica. Em função disso, as empresas enfrentam dificuldade de sucessão dos profissionais seniores responsáveis pelas áreas críticas como a de segurança do abastecimento de energia.

A falta de renovação de mão de obra torna-se um desafio ainda maior com a entrada de novas tecnologias, que constantemente mudam as ocupações e formas de trabalho. "O desafio é mesclar o conhecimento dos profissionais experientes com a habilidade natural das gerações mais jovens para lidar com os avanços tecnológicos.", analisa Adriana.
Gráficos mostram posicionamento dos SIUP no ranking salarial do Brasil e diferença entre salários do setor elétrico
Setor precisa aumentar atratividade

As companhias elétricas enfrentam dificuldade de reter profissionais qualificados. Os participantes afirmaram que, em algumas regiões, jovens formados em carreiras requeridas pelo setor têm buscado inserção em outras atividades, principalmente, através de concursos públicos.

As empresas se deparam ainda com o desafio de atrair profissionais de outros setores que ocupam, muitas vezes, funções diferentes de sua formação. O caso da engenharia é emblemático. Formam-se, no Brasil, cerca de 40 mil engenheiros por ano, mas a maioria não está empregada em ocupações próprias desta profissão. "O setor elétrico tem a oportunidade de absorver os profissionais que atuam fora das suas carreiras de formação. Para isso, no entanto, é necessário oferecer incentivos para atrair e reter os profissionais.", conclui Adriana.

Salários e escolarização da mão de obra são pontos fortes

Em relação aos salários, o setor elétrico larga na frente. O estudo da Macroplan mostra que os SIUP, em 2009, pagaram 80% acima da média salarial brasileira. Em termos de média salarial, o setor só fica abaixo da extrativa mineral. E as companhias elétricas oferecem valores ainda mais elevados do que os demais segmentos dos serviços públicos, chegando ao quádruplo da média nacional na geração de energia elétrica. Nos últimos cinco anos, este segmento registrou valorização salarial 20 pontos percentuais superior à média do setor elétrico.

A escolarização da mão de obra no setor também fica acima da média brasileira. O setor elétrico apresenta o dobro de percentual de empregados com ensino superior. A tendência é de que este índice continue em alta. De 2000 a 2009, o número de profissionais sem Ensino Médio caiu pela metade nas companhias elétricas.