Lançamento de "2022" reúne executivos, especialistas e empresários

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13/04/2011 | Macroplan
Claudio Porto e Fabio Giambiagi, organizadores do livro "2022"
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O Brasil encontra-se em um momento crucial para alcançar um novo patamar de desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que está entre as nações mais promissoras do mundo, o país ainda apresenta deficiências estruturais em setores como educação e infraestrutura, além dos desafios nas políticas fiscal, cambial e previdenciária.

 

Lançado em 31 de março, no Rio de Janeiro, e dia 04 de abril, em São Paulo, o livro "2022: propostas para um Brasil melhor no ano do bicentenário" reúne análises e propostas sobre questões e desafios fundamentais para que o país comemore seus 200 anos de independência como uma nação social e economicamente mais desenvolvida.

 

O economista Fabio Giambiagi, organizador do livro ao lado do presidente da Macroplan, Claudio Porto, destaca o momento de estabilidade política e econômica do Brasil como uma das motivações para realizar uma análise prospectiva para a próxima década. Ele acredita que esforços conjuntos dos diversos setores da sociedade poderão transformar as propostas do livro em ações concretas. "A palavra de ordem é: cooperação. É importante deixar para trás antagonismos que não mais se justificam e estabelecer alguns acordos, como se observa em sociedades politicamente avançadas", afirma.

 

No Rio, a noite de autógrafos, realizada na Livraria da Travessa, reuniu cerca de 200 convidados e co-autores de "2022", como Mônica de Bolle, Ilan Goldfajn, Jerson e Rafael Kelman, Alexandre Mattos, Fernando Veloso, José Tavares, Michel Gutnik e Hélder Queiroz Pinto Júnior. O lançamento contou com a presença de executivos e especialistas, como Sol Garson, ex-secretária de Finanças da Prefeitura do Rio, além dos economistas Armando Castelar, Rogério Werneck e Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real. Eloi Fernandez, superintendente executivo Organização Nacional do Petróleo (ONIP), também prestigiou o evento e considera os estudos do livro insumos importantes para as pautas dos governos nos próximos anos. "Contribuições dessa natureza podem auxiliar a construção de políticas públicas, uma vez que o setor público incorpore essas discussões", elogiou Eloi.

 

O lançamento na Livraria Cultura, em São Paulo, também reuniu personalidades como os ex-ministros Martus Tavares e Maílson da Nóbrega, Joaquim Levy, ex-Secretário da Fazenda do Rio de Janeiro, além de secretários de Estado do Governo de São Paulo e especialistas de instituições financeiras. Entre os co-autores, estavam presentes André Urani, Tadeu Barreto Guimarães, Samuel Pessoa, Alberto Carlos Almeida e Helcio Tokeshi.
Gustavo Morelli, co-autor de "2022", autografa o livro no lançamento no Rio
Cenários para o Brasil

 

Segundo Andrea Belfort, consultora da Macroplan e co-autora do capítulo que inaugura o livro, o país tem grande potencial de desenvolvimento. "O Brasil pode chegar a 2022 com menos pobreza e mais educação, com uma economia mais produtiva e competitiva internacionalmente. Mas existem passivos que ainda precisam ser resolvidos. Isso depende de como o Estado, em conjunto com o setor produtivo e a sociedade, vai conduzir as questões internas e de como o contexto externo vai influenciar nessa nossa missão", avalia. Em seu artigo, compartilhado com os organizadores do livro, são apresentados quatro cenários distintos. O melhor deles considera que o Brasil aproveite bem as oportunidades de um contexto externo favorável e se sobressaia entre os países emergentes. Já o pior cenário analisa os impactos se o país não sobrepuser os desafios.

 

Um desses desafios é a questão da produtividade, que no livro é analisada pelo Secretário executivo da Sociedade Brasileira de Econometria, Fernando Veloso. Ele atrela o aumento do investimento à eficiência da economia no país. "A decisão de investir depende da produtividade. A partir de 2004, foi o crescimento econômico do Brasil que estimulou o investimento e não o contrário", explica.

 

Os desafios da gestão pública são tratados no artigo escrito por Gustavo Morelli, diretor da Macroplan, em parceria com Fernando Luiz Abrucio e Tadeu Barreto Guimarães. "O setor público precisa ampliar sua capacidade de resposta às demandas do cidadão, seja por projetos ou políticas públicas. É necessário profissionalizar a gestão pública e o maior desafio é colocar o tema da profissionalização na agenda política", analisa Morelli.
Glaucio Neves, co-autor de "2022", autografa o livro no lançamento em São Paulo
Cidades e meio ambiente: crescimento sustentável

 

As propostas de "2022" também passam por temas como a reorganização territorial e o avanço das metrópoles. Membro do comitê gestor do projeto de reurbanização do porto do Rio de Janeiro, Michel Steinberg avalia oportunidades e desafios para os novos centros urbanos do país. "O fator crucial é a boa utilização das verbas de investimento, olhando no longo prazo questões como mobilidade urbana, mudança tecnológica e meio ambiente", conclui Steinberg. Glaucio Neves, diretor da Macroplan e co-autor do artigo sobre território urbano, lembra que grande parte dos governos está no limite de suas capacidades de investimento, mas aponta um caminho: "Uma saída é a maior integração dos setores público e privados para realização de novos investimentos em benefício da sociedade".

 

A necessidade de conciliar o bem-estar da população e preservação das riquezas naturais é reiterada no capítulo sobre o desmatamento na Amazônia. "É um desafio global, mas o Brasil recebe uma responsabilidade maior sobre esse tema por ter uma dádiva natural diferenciada no planeta, em função das suas condições de florestas, solo, sol, água, clima, minérios e biodiversidade", afirma Alexandre Mattos, diretor da Macroplan e co-autor do artigo, ao lado de Elimar Pinheiro, diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília.

 

Em suas 273 páginas, "2022" reúne 17 artigos que tratam de questões fundamentais para o desenvolvimento do Brasil na próxima década. Para o empresário Jorge Matos, os estudos podem contribuir com o planejamento estratégico do país. "Está na hora de olharmos para o futuro e nos estruturarmos para ele", alerta Matos. As análises com visão de longo prazo são o ponto central da obra, que tem eventos de lançamento previstos para Belo Horizonte, Brasília e Vitória, mas ainda sem datas definidas.