Varejo e energia vão ter recuperação mais rápida, diz economista

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29/09/2009 | A Gazeta (ES)
A retomada do crescimento da economia global após o pior momento da crise financeira que atingiu os maiores mercados econômicos, inclusive o do Brasil, deve ser tratada com cautela. De acordo com o economista Cláudio Porto, presidente da Macroplan, empresa de consultoria especializada em estratégia e gestão, o cenário é frágil e a retomada do crescimento ainda não está tão garantida. Ele não descarta um novo ciclo recessivo para os próximos anos.

"Por conta do imenso montante de recursos que teve que ser injetado em todas as economias, inclusive na nossa, isso já tem um efeito contratado para o futuro que é o retorno da inflação. Nós devemos ter a partir do ano que vem uma expansão dos índices inflacionários e aumento dos juros. Isso vai tornar o crédito mais caro. É uma possibilidade que ainda está se vendo. Pode ser que não ocorra. Eu ressalto que os indicadores apontam que o pior já passou, mas nem tudo está dominado. O doente (a crise) está convalescendo e não curado", destacou.


Cláudio Porto destaca que alguns setores como de energia, infraestrutura, varejo e serviços especializados vão ter uma recuperação mais rápida. O economista ressaltou que a crise financeira levantou um fator novo no quadro global. Segundo ele, países emergentes como a China, a índia e o Brasil irão sair da recessão mais fortes, por causa das reservas acumuladas e do tamanho do mercado interno.


"Há uma percepção no mundo de que o Brasil está mais forte e que em aproximadamente 20 anos nós alcançaremos os padrões de primeiro mundo. Nós realizamos recentemente um estudo de cenários na Macroplan que mostrou que se removermos obstáculos estruturais ao nosso desenvolvimento, conseguiremos em 20 anos, alcançar padrões de bem estar semelhantes ao da Itália nos dias de hoje", disse.

Cláudio Porto foi um dos palestrantes do III Fórum de Finanças Empresarias que aconteceu em Vitória nesta terça-feira (29). Outro participante foi o apresentador da Rádio CBN e comentarista econômico do Jornal da Globo Carlos Alberto Sardenberg.