08/10/2009
|
Brasil Econômico
|
|
fiogf49gjkf0d
|
Especialistas projetam maior participação brasileira em investimentos produtivos e aumento do fluxo de capital externo
Como estará o Brasil em 2015? Crescimento sustentado, mercado de capitais em franca evolução, dólar praticamente em paridade com o real e taxa básica de juros tão baixa quanto a média internacional. É diante desse cenário de bonança que analistas respondem que, pela primeira vez, é possível enxergar o Brasil como país do primeiro time em um futuro próximo.
"Será o melhor momento econômico desde os anos 80 e, quiça , da história brasileira", acredita o presidente da Ricam Consultoria, Ricardo Amorim.
Esse processo teve início em 2001, quando a China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC) com seu 1 bilhão de consumidores de produtos básicos - de alimentos a metais - justamente nos quais o Brasil é mais competitivo.
Aliado a isso, a migração dos camponeses para cidades chinesas ainda acontecerá por décadas, o que garantirá demanda ao mundo. "O centro de gravidade da economia mundial agora está nos emergentes, que estão detendo o eixo da produção e do consumo", garante Amorm.
Com a economia brasileira crescendo sustentadamente, com formalização de empresas para atrair investimentos, diz Amorim, a arrecadação federal aumentará a ponto de viabilizar a expansão dos gastos sociais e também a redução da carga de impostos, sem que seja preciso haver uma reforma tributária. O pulso firme com que Henrique Meirelles conduziu a política monetária, no comando do Banco central, é citado como determinante nas conquistas dos últimos anos.
Investimento produtivo
No caminho, até meados da próxima década,o Brasil deve ampliar a sua participação no fluxo de investimentos produtivos. "O Brasil está sendo visto como um porto seguro", diz caio Megal, economista chefe da Mauá Investimentos, lembrando que, mesmo na crise, o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto chegou a 2% do PIB.
Para o diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto, essa parcela tem potencial de chegar a 4% em quatro anos, alcançando níveis da China ( entre 6,5% e 7,5%) em 2030. Porém, tanto a atração de recursos externos, quanto o status a ser alcançado pelo país, ressalta Porto, dependerá dos caminhos que este e o próximo governo optarem. Caso a linha seja de ajustes estruturais, com aumento de investimento público, desonerações horizontais, contenção de gastos e reformas, é possível atingir velocidade de cruzeiro no crescimento entre 4% e 5% do PIB. No sentido contrário, avalia Porto, usando o Estado para puxar o crescimento, a taxa de expansão cai para 3% a 4%.
Reviravolta
Se Basil emerge para uma posição de destaque na cena internacional, há sete anos o país passava por uma situação de semifalência - dívida externa de curto prazo maior do que a soma das perspectivas de ingresso de recursos e suas reservas interanacionais, risco país entre 1.500 e 2.000 pontos, câmbio desvalorizado e inflação fora de meta. Para retomar a confiança, o aporte de US$30 bilhões do Fundo Monetário Internaconal e a formação de uma equipe econômica alinhada com padrões internacionais foram decisivos. Segundo integrantes do governo que acompanharam a crise brasileira, a escolha de Antônio Palocci como ministro da Fazenda foi fundamental para avalizar a condução de uma política econômica firme e fazer as mudanças necessárias que o país precisava. Esse clima era captado e repassado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aos seus subordinados.
Mesmo nos momentos mais difíceis de condução da políica monetária, Meirelles tentava trazer descontração à equipe. Um exemplo disso ocorreu em maio de 2003, quando em reunião do Comitê de Política Monetária( Copom) um jornal trazia a manchete "Copom se reúne sob pressão". Meirelles levantou o jornal e se dirigiu aos diretores dizendo "atenção, estamos sob pressão!". O Colegiado optou pela manutenção da Selic em 26,5% ao ano. A partir daí, a curva de juros futuros começou a cair e o BC conseguiu se desvincular dos rumores sobre ingerência política em suas decisões.