07/09/2009
|
Correio Braziliense
O presidente da consultoria Macroplan, Claudio Porto, está convencido de que a solidez do sistema financeiro foi essencial para que o Brasil atravessasse de pé o primeiro ano da crise mundial.
"O saneamento promovido pelo Banco Central nos anos 1990 tanto nos bancos privados quanto nos bancos públicos permitiu que o sistema se consolidasse. Também ajudou o fato de a regulação do país não autorizar a exposição aos riscos que levaram instituições do mundo inteiro para o buraco", diz. A firmeza desses bancos permitiu ao Banco Central destravar rapidamente os canais do crédito. Primeiro, voltaram os financiamentos às pessoas físicas. Agora, estão sendo abastecidas as empresas.
Para a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, é importante destacar o papel desempenhado pelos bancos públicos no meio da crise. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) ocuparam rapidamente os espaços deixados pelas instituições privadas. E, além de terem ofertado mais crédito, derrubaram as taxas de juros. "Esse movimento foi importante para restabelecer a normalidade do mercado. Mas, daqui por diante, é importante que o crédito seja puxado pelos bancos privados. Não se pode concentrar a maior parte dos riscos do sistema junto aos bancos públicos", afirma.
O exemplo dos bancos brasileiros deve ser seguido pelas instituições dos países mais afetados pela crise. Em Londres, os líderes de Finanças do G-20, grupo que reúne as 20 economias mais ricas do planeta, decidiram ontem apoiar um plano dos Estados Unidos para que os bancos detenham mais capital e de maior qualidade, resolvendo divergências sobre que normas adotar sobre o tema, conforme ressaltou a agência Reuters. Ao longo das conversas, surgiram divergências quanto ao aperto na regulação bancária mundial. Representantes de alguns países reclamaram do aperto nas regras, alegando que as propostas dos EUA já se enquadram à Basiléia II, acordo que rege o sistema financeiro global e exige que, a cada US$ 100 emprestados, as instituições tenham US$ 8 de patrimônio. Durante a farra do mercado imobiliário americano, que resultou na crise mundial, descobriu-se que vários bancos estavam fazendo créditos até 45 vezes o seu patrimônio.
Ao mesmo tempo em que discutiam formas para tornar o sistema financeiro mais seguro, os ministros de Finanças do G-20 comprometeram-se, mais uma vez, a manter os pacotes de socorro até que a recuperação da atividade esteja assegurada. Eles não chegaram, porém, a um acordo sobre limites às gratificações a banqueiros. Para os ministros, é preciso impor restrições às bonificações, pois é inadmissível que executivos que levaram bancos para o buraco recebam prêmios milionários, como se viu no Bear Stearns, o primeiro gigante americano a ser tragado pelo fim da bolha. "Gratificações não podem premiar falhas ou estimular riscos", sentencia o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.