Prefeitura de BH quer investir 7,5 bi em obras em 4 anos

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25/08/2009 | Blog do Benny - Rede Uai
O prefeito de BH, Márcio Lacerda, se prepara para lançar à cidade o maior desafio de seu mandato.
Amanhã, quarta-feira, ele divulga o BH Metas e Resultados, um plano audacioso, orçado em R$7,5 bilhões para melhorar a vida da Capital.

Assim que tomou posse, Márcio Lacerda trouxe para a Prefeitura métodos de gestão da iniciativa privada, como, por exemplo, o Planejamento Estratégico, algo que Belo Horizonte nunca teve.

De cara, formou um grupo de 40 técnicos e assessores da Prefeitura para responder à seguinte pergunta: "que BH queremos para 2030?". Depois, o tema foi levado ao debate com 60 representantes diversos da sociedade civil. A mesma pergunta também foi colocada, ainda que de forma discreta, na internet. Surgiram 2.400 respostas, todas analisadas pela consultoria contratada pelo Município para tocar o Planejamento Estratégico.

E desse trabalho nasceu o BH Metas e Resultados.

Ao todo, são 40 projetos "sustentadores", concebidos ao longo desses primeiros oito meses da atual administração ou herdados (e aprimorados) de prefeitos anteriores. A primeira etapa, foco principal do evento de amanhã, é para ser realizada nos próximos três anos e quatro meses de mandato.

Há projetos na área de saúde, da educação, no sistema de atendimento ao público e na mobilidade urbana ? essa é a maior demanda.

Márcio Lacerda está convicto de que não dá pra ficar esperando o metrô. Há muitos obstáculos, econômicos e políticos, que emperram a obra. Ele aposta em um modelo misto, em que o metrô é ampliado (expectativa maior para a linha Lagoinha - Savassi), mas com atenção especial ao Transporte Rápido por Ônibus (TRO), inspirado no sistema de Curitiba, no Paraná, e, no de Bogotá, na Colômbia.

O TRO prevê a construção de vias exclusivas para os coletivos. A primeira, com a obra já em andamento, é da avenida Antônio Carlos. Por ela, vão transitar veículos articulados, bem maiores que os ônibus comuns, com mais capacidade para transportar passageiros. As vias teriam controle de tráfego centralizado, como acontece com os trens, e estações fechadas de passageiros, às quais o cidadão tem acesso por catraca e pelas quais ele pode fazer baldeações de linha.

Isso pode ser feito a um custo bem mais baixo e com eficiência comparável à do metrô. Pra se ter uma idéia, um quilômetro de metrô custa R$100 milhões e leva um tempo muito maior pra ficar pronto. Para acessar a estação do metrô, muitas vezes o passageiro precisa descer e subir escadas (rolantes ou não) e isso consome tempo. No TRO, tudo é feito ao nível do chão, gastando menos dinheiro e menos tempo do passageiro. Este blog já defendeu em alguns posts o modelo paranaense, com os mesmos argumentos.

Há também projetos ambiciosos para o trânsito.

Um deles prevê a construção de uma via que sairá da BR-040, antes do trevo de Nova Lima, usando a linha férrea desativada da Vale; margearia a Serra do Curral até o Taquaril, onde a pista desceria até encontrar o fim da avenida dos Andradas; e seguiria até o trevo de Sabará no Anel Rodoviário. Em algum ponto da Serra do Curral, provavelmente entre o Belvedere e o Mangabeiras, será feito um túnel para acesso dos motoristas ao centro da cidade. Ali, na região, a Serra já tem áreas de exploração mineral desativadas, que facilitariam a abertura do túnel.

E de onde viria todo o dinheiro pra tantas obras? Bem, de todo lado: do governo federal, estadual, municipal e da iniciativa privada. Mas esse é um problema complicado, admite Lacerda. No caso da prefeitura, por exemplo, ele conta que já há R$800 milhões contratados em empréstimos e o Município pode captar mais R$1,6 bilhão. Ainda muito longe do total previsto para todos os projetos.

O prefeito ainda revelou hoje que um estudo completo sobre a nova rodoviária de BH está ficando pronto. O estudo traz opções como ter apenas um terminal ou dois e as possíveis localizações - tudo feito com softwares que simulam os impactos ambientais e no trânsito dos lugares sugeridos. Um deles seria um terminal no bairro São Gabriel: está perto da estação do metrô, perto do Anel e tem área livre para a obra gigante. A prefeitura tem em mãos uma pesquisa que, em certa medida, contraria a reação apresentada por moradores da região do Calafate à transferência da Rodoviária para lá. Segundo a pesquisa, boa parte da população do entorno aprova a obra porque acredita numa valorização da região