26/08/2009
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O Tempo (MG)
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Governo também apresenta planejamento estratégico até 2030
A palavra de ordem da Prefeitura de Belo Horizonte é planejamento. Construída em 1897 para ser a capital de Minas Gerais, a cidade, projetada para 250 mil habitantes, cresceu muito além do perímetro da avenida do Contorno e hoje, com 2,4 milhões de moradores, precisa ser repensada. E é com o olhar voltado para o futuro que o governo municipal apresenta hoje o projeto BH Metas e Resultados, previsto para ser encerrado no fim de 2012, quando termina o mandato do prefeito Marcio Lacerda.
Até lá, serão executados 40 projetos considerados prioritários para a cidade. "Boa parte dos projetos é para melhorar a prestação de serviços, desburocratizar e melhorar o atendimento da prefeitura", afirmou ontem Lacerda, durante café da manhã com jornalistas.
O prefeito informou que os projetos - que incluem, por exemplo, investimentos na saúde, educação, atendimento à população e mudanças no Código de Posturas - foram iniciados em janeiro deste ano. O valor previsto chega a R$ 11,5 bilhões, sendo R$ 3 bilhões apenas para o metrô, que depende de verba federal.
Do montante total, segundo Lacerda, a prefeitura já contraiu R$ 800 milhões em financiamentos e tem capacidade para pegar mais R$ 1,8 bilhão emprestados. A previsão de arrecadação até o fim do mandato projeta mais R$ 2,4 bilhões para investimentos. A soma chega a R$ 5 bilhões. Os R$ 3,5 bilhões restantes (sem contar o metrô) viriam dos governos estadual e federal, além de parcerias com a iniciativa privada (PPPs). O prefeito estima que o Estado possa investir R$ 800 milhões no programa BH Metas e Resultados.
Segundo Lacerda, o maior problema da capital se refere à mobilidade. Por isso, os principais projetos (e mais caros) são de intervenção viária, priorizando as ligações entre os bairros sem passar pelo centro da cidade. Entre eles, estão as obras de anéis viários cortando a cidade (Corta Caminho), a duplicação da avenida Antônio Carlos e o Transporte Rápido de Ônibus, previsto para a Antônio Carlos.
Para frente. O prefeito também apresenta hoje o Planejamento Estratégico Belo Horizonte 2030. No documento, a prefeitura listará os objetivos e indicadores para a capital mineira nas próximas décadas. O trabalho é fruto de uma consulta popular feita recentemente pela Internet com o tema "Que BH queremos para 2030?", coordenada pela empresa de consultoria Macroplan, contratada em janeiro, por R$ 1,179 milhão, para elaborar esse plano estratégico.
Corta caminho
Projeto. O programa Corta Caminho prevê 148 intervenções viárias em Belo Horizonte. Dentro dessas, há 17 cruzamentos com o Anel Rodoviário, entre eles na praça São Vicente, no bairro Padre Eustáquio.
Críticas à união
"Belo Horizonte não tem sido bem apoiada pelo governo federal. Nos últimos quatro anos, das quatro maiores cidades do país, BH foi a que recebeu o menor percentual de investimento da União. O PAC, por exemplo, só 10% é de dinheiro federal. Os outros 90% vêm de financiamento. O fato de o (ex) prefeito (Fernando Pimentel) ser do PT não ajuda."
"Posso afirmar que há como melhorar muito o trânsito em cinco, dez anos sem investir nada nesse "metrozinho" que está aí."
(Marcio Lacerda -Prefeito de BH)
Estagnação -Pessimismo em relação ao metrô
O prefeito Marcio Lacerda se mostrou pessimista em relação à liberação de recursos do governo federal para obras em Belo Horizonte. O principal motivo para a falta de perspectivas do prefeito é a estagnação do metrô. Uma divergência entre as esferas de poder impede o aprimoramento do meio de transporte.
"O governo federal quer estadualizar o metrô, mas com R$ 40 milhões de prejuízos e mais o passivo, o Estado não aceita. Levamos (o Estado e a prefeitura) uma proposta ao governo federal de concessão para a iniciativa privada (PPP), mas a União não aceita. Não sei porque", disse. Para ele, o problema é uma questão política. "Mas posso afirmar que há como melhorar muito o trânsito em cinco, dez anos sem investir nada nesse "metrozinho" que está aí", completou.
Lacerda afirmou que o metrô é a melhor solução para o problema da mobilidade urbana, mas ressaltou que é a mais cara. "Um quilômetro de linha de metrô custa US$ 100 milhões. Temos condições de gastar menos e melhorar o trânsito e o transporte público. Vamos sobreviver sem metrô. Vamos melhorar com o TRO (Transporte Rápido por Ônibus), por exemplo, e não é um paliativo", garantiu.
Intermunicipal
Projeto liga BH, Nova Lima e Sabará
Fora do BH Metas e Resultados, a prefeitura vai apresentar, dentro de dois meses,um projeto viário para interligar a capital, Nova Lima e Sabará, aproveitando uma linha férrea desativada da Vale do Rio Doce. Pelo projeto, haveria um túnel na serra do Curral para ligar a nova via à avenida Afonso Pena. A avenida dos Andradas, na região Leste, seria prolongada até a BR-381 em Sabará. "Pode ser sem investimento público, só privado", disse o prefeito.
O túnel seria 1,5 km depois do parque das Mangabeiras, onde há uma mineradora desativada. A assessoria da Vale confirmou que há uma discussão em curso para que a prefeitura utilize a linha férrea desativada, mas a companhia não comenta negociações. Ainda segundo a Vale, a linha desativada pertencia à antiga Mineração Águas Claras.