Estudo para mudança da rodoviária volta à estaca zero

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31/01/2009 | O Tempo (MG)
Contratação: Empresa vai fazer análise de viabilidade da manutenção do terminal no centro da cidade
O polêmico processo da construção da nova rodoviária de Belo Horizonte voltou praticamente ao começo. A prefeitura contratou uma consultoria, a Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão Ltda, para realizar novos estudos dos impactos da transferência do terminal do centro da cidade. A empresa ainda vai indicar qual o melhor local para receber o novo prédio. Com isso, há a possibilidade de o projeto da construção da rodoviária na região do Calafate ser engavetado. A primeira opção do prefeito Marcio Lacerdao é manter a rodoviária onde está.
A empresa responsável pela consultoria foi orientada a fazer um levantamento completo para modernizar o atual prédio. O projeto ainda inclui todas as obras necessárias nas ruas do entorno do terminal, incluindo desapropriações e mudanças de circulação para facilitar o acesso de ônibus.
Mesmo se o estudo concluir que a manutenção da rodoviária na região central é inviável financeiramente, a construção do prédio do Calafate não é garantida. O prefeito Marcio Lacerda encomendou também um estudo técnico sobre as principais alternativas para o novo terminal. Ele quer saber se o projeto apresentado na gestão anterior é mesmo a melhor opção. Outro local já estudado pela prefeitura seria no limite da capital com Contagem. O terminal serviria para atender os dois municípios e ainda poderia ser integrado com o metrô.
Além de novos estudos de viabilidade, o prefeito disse ontem, durante a entrega de novas viaturas para a Guarda Municipal, que pretende ainda rediscutir o projeto com a população. "Até o final de maio, vamos terminar o estudo e aí vamos discutir com a população durante o mês de junho, provavelmente".
Não houve licitação para a contratação da Macroplan. A dispensa é garantida pelo artigo 25 da lei 8.666/93, que estabelece que estudos técnicos feitos por empresa de notória especialização não exige o procedimento.
A revisão do projeto da nova rodoviária agradou à Camara Municipal, que vinha recebendo grande pressão de moradores da região Oeste para tentar impedir a transferência. Segundo o líder do prefeito, Paulo Lamac (PT), a rodoviária só vai para o Calafate se o prefeito estiver convencido. "Ele quer se embasar de todos os detalhes antes de tomar qualquer decisão. É um compromisso que ele assumiu durante a campanha", disse o parlamentar.
No princípio da campanha, Marcio chegou a dizer que era a favor da nova rodoviária na avenida Teresa Cristina. No entanto, com a pressão popular, principalmente dos moradores dos bairros próximos ao novo local, Lacerda teve que recuar e prometeu rever o projeto original se eleito.
Mesmo se ele decidir fazer obras no atual prédio ou transferir a rodoviária para outro lugar que não seja o Calafate, não há a necessidade de uma nova consulta à Câmara. O projeto de lei que autoriza a mudança não determina o bairro em que o terminal será instalado. Mesmo assim, Lacerda prometeu aos vereadores que vai ouvir as demandas da Casa. "Ele manifestou aos integrantes da Mesa Diretora o desejo de incluir a Câmara no debate", conta Paulo Lamac.


Contratação.
A empresa Macroplan foi contratada pela prefeitura para reiniciar todos os estudos de transferëncia do terminal

Imbróglio - Idas e vindas do processo de transferência da rodoviária da capital:

Jan 2008 - Projeto polêmico é aprovado pela Câmara em 1º turno

Fev 2008 - Projeto é aprovado em 2º turno, sem a determinação do bairro onde será construído o novo terminal.
Mar 2008 - Ministério Público exige relatório de impacto ambiental na região e ameaça ir à Justiça. A prefeitura adia licitação.
Jul 2008 - Começa a campanha eleitoral. Lacerda defende a construção do novo terminal no Calafate. Pouco depois, ele recua e promete rever a questão.
Jan 2009 - Lacerda anuncia contratação de consultoria para rever projeto original.