05/05/2009
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A Macroplan, empresa de planejamento e gestão estratégica, realizou um estudo sobre a crise financeira mundial. Os economistas apontaram quatro possíveis cenários para o Brasil de acordo com as medidas do governo no país e no resto do mundo. E a previsão mais otimista indica recessão até meados do próximo ano. O SRZD conversou com o consultor Rodrigo Ventura, que esclareceu os resultados. Ele afirmou que esta é a maior crise desde 1929 e garantiu que os países emergentes sairão mais fortes, pois os principais fatores estão nas economias mais desenvolvidas.
Segundo o estudo, a probabilidade maior é que a recessão mundial seja curta, com duração de nove a 18 meses. Neste caso, se o Brasil adotasse medidas organizadas com ênfase na sustentabilidade a longo prazo e a retomada dos principais projetos, o país poderia sair da crise mais forte, o que seria o cenário mais otimista apresentado pela Macroplan.
Entre as ações indicadas para o governo nesse sentido estão a redução dos juros, flexibilização dos depósitos compulsórios, expansão de crédito e aceleração de privatizações e concessões, além de redução de impostos e estímulo aos agentes privados (consumidores e empresários).
Já o cenário mais pessimista registrado pela empresa, com uma recessão mundial de duração superior a dois anos e o Brasil adotando uma reação imediatista, aponta uma nova crise no futuro. Entretanto, a probabilidade de que essa situação se concretize é pequena.
Para que esta situação não ocorra, é preciso evitar a forte expansão do gasto público, principalmente com folha de pagamento; atrasos na execução de investimentos prioritários; arrefecimento e adiamento de investimentos privados, além do endividamento do setor público.
Ventura afirmou que, apesar das medidas dos países desenvolvidos, o setor imobiliário norte-americano, que culminou na crise, não foi atingido pelas políticas governamentais em resposta à crise.
"As hipotecas continuam sendo executadas e os preços das casas caindo. Estão sendo feitas apenas ações paliativas", criticou ele.
O consultor declarou que o Brasil vem agindo de modo errado e, com isso, perde a oportunidade de fortalecer a economia. Ele citou ainda a Argentina como um exemplo negativo. De acordo com Rodrigo Ventura, o país vizinho tem as piores medidas de reação à crise econômica, que implicaram na desvalorização do câmbio , como o fechamento da economia, manipulação da inflação e estatização de empresas.
Sobre as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à população, quando afirmou que os brasileiros deixaram de comprar por medo, Ventura comentou que uma retração do consumo é natural que aconteça.
"O consumo é uma das variáveis que é naturalmente afetada em momento de crise Deve ser buscada a compensação nos investimentos de infra-estrutura e exportações", concluiu o consultor.