09/10/2016
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A Gazeta (ES)
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Análise da consultoria Macroplan em áreas como educação, saúde e infraestrutura mostra como o Estado está no ranking nacional. Melhorou a qualificação dos jovens e a transparência do setor público. Piorou a condição das rodovias e a avaliação do ensino básico
Desafio dos gestores passa por avanço da eficiência - Especialistas defendem ainda transparência e a implantação de reformas estruturais
O estudo com os dados da década (2004-2014), da Macroplan, traz uma dimensão
dos desafios que os gestores têm pela frente, e revela um retrato capaz de ajudar os agentes públicos na definição de estratégias e tomada de decisões. Para além da necessidade de melhorar indicadores ligados à saúde, educação ou desenvolvimento social, o que os especialistas chamam a atenção é para a urgência em tornar o Estado cada vez mais eficiente e transparente.
Outros desafios que a gestão pública também não terá como escapar envolvem o baixo crescimento econômico, a implantação de reformas estruturais e a busca pela retomada sustentada do crescimento.
O presidente e fundador da Macroplan, Claudio Porto, cita a reforma da Previdência, inclusive em níveis estadual e municipal, como imprescindível. "Se isso não for feito,os Estados vão quebrar. Essa reforma não é a única, mas é a mais urgente", alerta Porto ao citar que, mesmo Estados como Espírito Santo, que vem colhendo bons dados quando o assunto é ajuste fiscal, acabam tendo que aportar recursos bilionários na Previdência dos servidores públicos para garantir a continuidade do sistema.
O presidente da consultoria acrescenta que os gestores terão de conviver com cenário de baixo crescimento. Muito diferente do da última década, que ficou marcada por um ciclo de crescimento econômico. "Isso irá impor a necessidade de planejamento de longo prazo, a busca por melhorias na produtividade e a alocação direcionada dos recursos para evitar desperdícios".
FERRAMENTA
Na avaliação do presidente executivo do Movimento Brasil Competitivo, Claudio Gastal, o estudo Desafios da Gestão Estadual (DGE) é uma ferramenta de apoio aos governos para priorização de políticas públicas, além de possibilitar uma análise da qualidade e produtividade do gasto. "Esse instrumento é um bem público para governadores, secretários, gestores públicos, empresários e cidadãos. O cenário de crise é fato e é essencial que líderes tenham uma ferramenta de análise para a governança e gestão".
O QUE FAZER ( fonte: Macroplan)
BAIXO CRESCIMENTO ECONÔMICO
- Com a escassez de recursos, a previsão é de que os próximos anos serão de baixo crescimento econômico e menor dinamismo
REFORMAS ESTRUTURAIS
- É necessário que os gestores públicos realizem reformas estruturais que impactem o tamanho e nas formas de atuação do Estado
EFICIÊNCIA E TRANSPARÊNCIA
- É urgente a definição de prioridades na aplicação de recursos, a busca pela eficiência das políticas públicas, além da transparência com a sociedade
RETOMADA DO CRESCIMENTO
- O momento requer medidas para retomada do ciclo de crescimento sustentado da economia e sua inserção competitiva global
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AVANÇOS E RETROCESSOS DO ESTADO EM 10 ANOS
ES vai bem em ações para a juventude, mas peca nas rodovias
A última década trouxe uma nova ?cara? para o Espírito Santo. Problemas graves como corrupção, insegurança e falta de transparência na gestão pública começaram a ser superados. Em 10 anos, foram várias as mudanças para melhor. Outras, a educação, por exemplo, precisam de atenção.
Essa evolução foi mapeada pelo estudo Desafios da Gestão Estadual (DGE), realizado pela consultoria Macroplan, que fez o recorte temporal de 2004 a 2014 e a pontou onde o Estado vai bem e onde ainda peca.
A empresa, especializada em cenários futuros e gestão pública, analisou nove áreas - educação, saúde, segurança, juventude, infraestrutura, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, condições de vida e gestão fiscal - em um conjunto de 28 indicadores e de forma comparativa entre todas as 27 unidades de federação.
No detalhamento, as notícias, no geral, são boas. Nesses 10 anos, o Estado apresentou melhorias em muitos indicadores, e ocupa a oitava posição no ranking nacional, bem próximo de Minas e Rio. Ao longo do período, algumas áreas específicas conquistaram grandes avanços. Outras, entretanto, registraram perdas significativas na classificação nacional.
O raio-x mostra que o maior ganho foi conquistado pelo 'Jovens Nem Nem Nem',que passoudo12º lugar para o 4º. Esse indicador -que analisa a proporção de jovens que não estuda, não trabalha e não procura emprego - caiu de 13,5% para 11,1%, a quarta maior redução entre os Estados. O recuo, segundo especialistas, é fruto das condições de crescimento, além da mudança de perfil da juventude, que vem se mostrando mais pró-ativa e em busca de qualificação e inserção no mercado.
Em contrapartida, as estradas capixabas pioraram no ranking geral. Saírem do 8º lugar, em 2004, para o 18º em 2014. Péssima notícia para um Estado que tem por objetivo estabelecer-se como polo logístico do Brasil.
Outro indicador que revela um Espírito Santo em passos mais lentos foi o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano).Na década, houve uma queda de oito posições - da 3ª para a11ª. O Estado também registrou perda de posições nos seguintes indicadores: analfabetismo de jovens e adultos e Ideb do Ensino Médio. O Ensino Fundamental I ficou no mesmo 8º lugar de 2004.
O presidente e fundador da Macroplan, Claudio Porto, explica que as rodovias foram avaliadas a partir de fatores como condições físicas, conservação e sinalização. Mas o destaque dele fica por conta da educação: "É um ponto que tem que haver uma intensificação dos esforços para que as melhorias cheguem em uma velocidade maior do que estão acontecendo."
Porto pondera que, mesmo que em algumas áreas o Estado não esteja entre os mais bem avaliados, o Espírito Santo está em uma boa posição em condições de juventude, construção do futuro, eficiência de governo e transparência. "E tudo indica que o Espírito Santo irá ultrapassar Minas Gerais no ranking geral, passando para o 7º lugar, se acelerar suas Melhorias em educação, segurança e infraestrutura".