Governança com eficácia, eficiência e efetividade

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12/08/2015 | O Popular (GO)
Ampliar a orientação da administração pública por metas e indicadores, desde o desenho do marco lógico dos programas, estabelecendo os impactos esperados, com clara definição dos indicadores, até um sistema estruturado de monitoramento e avaliação de programas, é um dos caminhos para alcançar a efetividade na gestão pública. "Embora algumas dessas inovações já tenham sido introduzidas em experiências brasileiras, o seu uso ainda é bem restrito, pouco conhecido do público em geral e de pequena assimilação junto à classe política", observa o sócio-diretor da empresa Macroplan, Gustavo Morelli.

Para aumentar a eficácia da gestão pública, ele entende que os principais desafios estão vinculados à alocação estratégica de recursos com a finalidade de evitar a dispersão dos escassos meios financeiros, humanos e do tempo dos gestores. "Por meio da escolha clara de prioridades, baseadas em compromissos políticos e em reflexões estruturadas sobre o futuro do desenvolvimento, cria-se o pilar da eficácia na gestão pública", aponta. Uma gestão eficaz pressupõe, ainda, processos de integração dos instrumentos de planejamento, orçamento, finanças e gestão, que possibilitam efetivar as escolhas do planejamento em orçamentos anuais coerentes com uma visão de médio prazo, processos financeiros que otimizem o uso dos recursos e a aceleração da execução com gerenciamento intensivo e a simplificação de procedimentos.

Na dimensão da eficiência, os avanços dos métodos de gestão de processos e projetos devem ser resgatados e reforçados, defende Morelli. Para ele, a produtividade do gasto público terá de ser o foco em um mundo em que a sustentabilidade será o principal valor de desenvolvimento humano. "Questões como avançar nos indicadores educacionais com os mesmos recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis merecem estar no centro das inovações na gestão pública. Parece tão óbvio, mas a prática de gestão pública no Brasil não coloca a devida ênfase no tema", pondera. Políticas de desburocratização devem ser buscadas para aumentar a eficiência, assim como a ampliação do governo eletrônico, que tem potencial para ampliar a produtividade do Estado.

"É preciso inovar na administração pública"

Entrevista - Gustavo Morelli

O economista e MBA em Gestão de Projetos Gustavo Morelli, sócio-diretor da Macroplan, que fará palestra no Agenda Goiás, fala sobre a necessidade de profissionalização do serviço público - com inovações no desenvolvimento de gestores e líderes com visão clara do papel do Estado -, os desafios em um período de profunda crise econômica e institucional e boas práticas que a administração pública deve adotar.



O que o senhor deve abordar em sua palestra?

Como a gestão pública profissional e eficiente pode ser elemento fundamental para ampliar a capacidade e a qualidade da ação do governo. Pretendo demonstrar quais os principais desafios para uma boa gestão pública e um pouco do desempenho recente do Estado frente aos outros Estados da federação.



É preciso profissionalizar a gestão pública? De que forma?

Sim! Um primeiro desafio é mudar a escala de provimento e desenvolvimento de líderes e de pessoas de alta qualificação. É preciso também redefinir e fortalecer as carreiras estratégicas de Estado, aquelas que têm papel chave nas políticas e intensificar processos de avaliação de desempenho, vinculando-os ao alcance de resultados finalísticos contratados e à implantação de soluções inovadoras, que produzam benefícios concretos à sociedade. Por fim, no âmbito da profissionalização do serviço público, cabe inovar no desenvolvimento dos gestores públicos e lideranças com uma clara visão do papel do Estado e dos avanços tecnológicos, econômicos e sociais.



Quais os desafios para a gestão pública em tempos de crise, não só econômica, mas, acima de tudo, institucional?

Os novos governadores encontraram, em geral, um cenário macroeconômico desfavorável. Mas especialmente na crise não se pode perder de vista aonde se deseja chegar. É dentro deste contexto que se espera que os ajustes sejam feitos, negociados e comunicados à população.



Como conciliar a gestão da crise e a urgência do equilíbrio do caixa com a construção do futuro desejado e as expectativas da população?

As boas práticas indicam que o desafio neste momento requer uma agenda dual. Em síntese, um esforço que seja capaz de articular a superação dos constrangimentos financeiros atuais com a manutenção da trajetória rumo a um futuro melhor.