Rumo ao Futuro

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21/04/2015 | Correio Braziliense
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Segundo especialistas, a capital tem enorme potencial para crescer, mas precisa voltar os olhos para o déficit habitacional, o índice de homicídios, a desigualdade social e a qualidade da educação, hoje estagnada.

Os 55 anos de Brasília merecem mais do que festa. Exigem mais que reminiscências e boas lembranças do que se passou: mais do que celebração da capital moderna e plena que é hoje. A cidade exige ser pensada para o futuro. Como serão as próximas décadas? Quais serão as soluções para os problemas atuais da capital, como trânsito, segurança., economia e educação ? Os brasilienses podem comemorar o maior índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), a liderança entre as 27 unidades da Federação  em termos de indicadores educacionais e maior renda domiciliar per capita. Mas é necessário também enxergar que  essas conquistas precisam ser mantidas. E para conservá-las, há muito a ser feito.

Uma pesquisa inédita da empresa de consultoria Macroplan Prospectiva, estratégia &Gestão indica alguns caminhos. Baseados nos índices atuais e em algumas prospecções, os especialistas acreditam que, pensando a longo prazo, é possível termos uma Brasília sexagenária ainda melhor do que a atual. Mas para isso, há desafios a vencer. Para chegar saudável aos 60 anos, as prioridades devem ser educação, segurança, mobilidade urbana e a luta contra  a desigualdade social, aponta o estudo.

Caso as políticas públicas não sejam repensadas, a capital vai completar seis décadas com mais de 3 milhões de habitantes, déficit habitacional, problemas sérios de mobilidade  e educação estagnada. "O Distrito federal enfrenta um ambiente de grandes dificuldades, principalmente financeiras. Mas tem muitas oportunidades, inclusive por estar em uma região que mais tem crescido nos últimos anos, que é o Centro-Oeste", avalia Gustavo Morelli, diretor associado da Macroplan.

O estudo agrega dados de entidades de pesquisa como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de outros órgãos, como o ministério da Justiça. O documento mostra que a desigualdade social cresce. Se o ritmo se mantiver, a disparidade entre ricos e pobres se tornará maior. "Brasília tem alguns ativos importantes. O espaço urbano é pequeno, por exemplo. Mas a distribuição de renda é ruim e a violência é pior do que a média brasileira. Esses são alguns dos desafios a serem vencidos", complementa Morelli. ( Leia mais sobre a pesquisa na página 18). Apesar dos problemas mostrados pela pesquisa, o professor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), Neio Campos, é otimista com relação aos próximos anos. Para ele, Brasília cumpre o Plano de Metas proposto por Jucelino Kubitschek na fundação da capital, que tem como principal objetivo fortalecer a interiorização do país. "Daqui a cinco anos, a perspectiva é de uma dinâmica urbana e regional intensa, porque, além de tudo, Brasília conseguiu reunir uma população com renda per capita elevada. O mercado será atrativo para novos produtos, serviço de tecnologia e informação. Haverá maior adensamento, tanto econômico quanto demográfico", ressaltou.
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Do que a capital precisa para ganhar confiança

O sonho de Dom Bosco concretizou-se, cresceu e já passa de meio século de existência. Mas a expansão da capital também trouxe problemas, semelhantes a qualquer grande região do país. O Distrito federal enfrenta hoje déficit habitacional, crise econômica, trânsito caótico e níveis muito baixos do Lago Paranoá. Não é preciso cálculos ou estudos para enxergar que em 20120 os índices serão outros. Melhores ou estagnados, maiores ou estabilizados, o que importa é que as visões otimistas demandam políticas públicas estruturadas, investimentos, aplicações e mudanças inteligentes. É a avaliação de especialistas que estão de olho em um futuro não tão distante.

O estudo feito pela consultoria Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão faz uma análise sobre os 55 anos da capital do país. Entre os destaques para o que temos de melhor estão as melhores escolaridade média da população adulta, renda domiciliar per capita ( R$ 1.849) e acesso à internet e à telefonia celular. Em contrapartida a empresa cita as altas taxas de homicídio (38,9 para cada grupo de mil habitantes) e a queda da qualidade do ensino com relação a outras unidades da federação como pontos a serem melhorados. "Um caso bastante exemplar: Brasília não cai nas taxas de educação, mas os índices têm se mantido parados. Comparado ao DF, Goiás, por exemplo, teve melhor desempenho nos últimos anos e está ascendendo", explica Gustavo Morelli, diretor associado da Macroplan.

O levantamento mostra que os governantes precisam recuperar a capacidade de investimento - hoje dependentes de operações de crédito - e avançar na profissionalização da gestão a fim de entregar serviço público de qualidade. "A cidade tem renda domiciliar alta e bom nível de escolaridade. Mas carrega o desafio simultâneo de ajustar a máquina para começar a produzir resultados", afirma Morelli.

Segundo a pesquisa, com o aumento populacional, a capital federal apresenta problemas urbanos crescentes. Além da criminalidade, destacam-se a piora na mobilidade urbana e o aumento do déficit habitacional - o terceiro maior do país em termos percentuais ( 16,2%), atrás apenas do Acre e de Mato Grosso. Além disso, o estudo mostra que o DF sustenta a maior desigualdade de renda das unidades da Federação.

De acordo com o professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília  (UnB), Frederico de Holanda, as tendências  para o desenvolvimento de Brasília são estruturas dispersas, custo de vida alto e pouco investimento em mobilidade urbana. "Vamos ter uma política perversa, com a expulsão dos pobres cada vez mais para a periferia, mantendo grandes áreas sob especulação imobiliária", prevê.

Com relação ao trânsito, o especialista também não vê uma solução sustentável. "A previsão é de aumento de espaço para carros. E não se fala em um transporte de massa decente, como, por exemplo, uma linha de metrô cruzada. As exceções são vozes isoladas".