O (des)compromisso com a qualidade

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01/02/2015 | A Tarde (BA)
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José de Freitas Mascarenhas foi presidente da FIEB
O objetivo de buscar eficiência e realizar coisas bem feitas é pertinente à necessidade de melhorar a competitividade de uma economia. E não é suficiente apenas o comprometimento do setor privado com a causa, de vez que o sucesso não será completo se a área pública não tiver idêntico compromisso.

Nesse sentido o novo Governo da Bahia terá que desenvolver esforços redobrados para avançar neste propósito., pois a performance do estado, em comparação à de outros do país tem deixado a desejar.

No fim do ano passado uma consultoria de renome nacional, a Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão, publicou um amplo trabalho de comparação do desempenho das 27 unidades da Federação nos últimos 10 anos até 2013, oferecendo comparações tanto no aspecto estático, a posição absoluta alcançada por cada uma delas, como no aspecto dinâmico, comparando a evolução verificada no período. Confrontou ainda o melhor padrão atingido com o atingido, principalmente, na média da OCDE, quando ficou comprovado que quase nunca este era alcançado.

O objetivo, segundo o estudo, foi identificar ?governos e práticas que tenham sido capazes de alterar a realidade encontrada em curto espaço de tempo?. Para isso focalizou a análise em 10 dimensões:  eEducação, Juventude, Saúde, Segurança , Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Social, Condições de Vida, Institucional e Gestão Fiscal, além do desempenho no expressivo número de 69 indicadores.

A conclusão geral é a de que não há um Estado modelo, por assim dizer, que reunisse isoladamente todos os bons indicadores, mas no conjunto, os desempenhos de Santa Catarina e  São Paulo despontam como aqueles mais efetivos, o que não significa dizer que não tenham apresentados resultados pouco favoráveis em um ou outro.

Há destaques a celebrar no Nordeste, como no caso de Pernambuco que passou da posição 26 em 2007 para a primeira em 2013 na taxa de evasão escolar e ainda na significativa redução de 33,7% alcançada na taxa de homicídios/100 mil habitantes entre jovens de 15 a 29 anos.

É importante ressaltar que o atingimento de altos índices não depende apenas da alocação  substantiva de recursos, pois é a gestão da qualidade que sempre acrescenta bons resultados. Um exemplo é o caso de Alagoas que elevou a despesa per capita de segurança entre 2005 e 2012 e obteve a pior taxa de homicídios do Brasil, com crescimento de 88% na última década.

Na computação dos resultados estatísticos, entre as cinco melhores posições alcançadas nos  anos recentes em nove índices relacionados com as dimensões selecionadas pelo estudo apareceram diversos Estados  das diferentes regiões do país. Infelizmente a Bahia não apareceu em  nenhuma delas.

Já na computação dos cinco piores resultados considerando os mesmos índices e dimensões anteriores, a Bahia aparece participando em três deles ( taxa de homicídios por 100 mil habitantes, óbitos por mil nascidos e coeficiente de Gini). No cômputo dos resultados dinâmicos ( ganhos de posição ou evolução relativa em cada área nos últimos anos), em nove dimensões consideradas, a Bahia não comparece em nenhum deles a despeito da  presença registrada de vários estados das regiões periféricas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Ainda nesta classe de resultados, considerando o desempenho de 54 indicadores, o estado de Pernambuco foi o campeão, com a variação líquida ( diferença de resultados positivos e negativos entre todos os indicadores) de 103 posições, seguido de  São Paulo (101 posições),Goiás (96), Mato grosso do Sul (81)e Espírito Santo (70). Dos 26 estados e Distrito Federal, a Bahia ficou na posição 23 com a variação líquida negativa de 77 pontos.

Analisando apenas os resultados da região Nordeste, a Bahia estava ausente nos cinco indicadores de alto desempenho, mas marcava presença em três dos cinco de baixo.

Finalmente nas boas práticas mapeadas entre todos os Estados para algum dos ambientes, a Bahia não contribuiu com nenhuma delas nas áreas de Educação, Saúde e Segurança, participando apenas com dois projetos na área de gestão pública ( Escritório de Qualidade do Gasto Público e Prêmio do Servidor Cidadão).

Conforme se depreende será necessário desenvolver grandes esforços no Estado para  a modificação substancial deste quadro algo desalentador. Ele não será revertido através de posicionamentos ideológicos ou qualquer tipo de proselitismo fácil, mas sim através da aplicação do conhecimento adquirido, das técnicas de gestão e do forte compromisso com as metas de qualidade a alcançar.