05/12/2014
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Valor Econômico
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O ganho de competitividade necessário para elevar a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) e fazer com que o setor volte a ganhar espaço no mercado externo passa necessariamente pela melhoria dos indicadores de educação. Por essa razão, ela está no centro do plano estratégico do Movimento Brasil Competitivo (MBC) para os próximos 15 anos, junto de uma aproximação maior dos atores da esfera pública, afirma José Paulo Soares Martins, diretor da instituição.
A combinação faz parte do Programa de Melhoria da Gestão Pública (PMGP), que tem implementado ferramentas de gestão em diferentes secretarias estaduais - inclusive de educação - desde 2010. A iniciativa, afirma Martins, é um novo passo, que se junta a outros esforços da sociedade civil de otimização de resultados e ganhos de eficiência que vão além do foco na iniciativa privada. "Nós avançamos muito nessa área, mas não adianta ser competitivo só da porta para dentro. Por isso é importante estar também junto do setor público para que o processo avance mais rapidamente", pondera.
Hoje em 15 Estados, a intenção é expandir o programa para todo o país - por isso o esforço para se aproximar dos governadores recém-eleitos. "Queremos criar uma nova cultura de gestão pública", afirma o diretor.
Entre os principais resultados colhidos nos últimos quatro anos, Martins destaca as parcerias com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará na área de educação, com Goiás na segurança pública e o programa de gerenciamento de receitas e despesas, acompanha minuciosamente as contas públicas e foi implementado em vários Estados.
O MBC deseja tornar-se um "think tank" em gestão e governança e pretende manter interlocução maior com outros centros de produção de conhecimento - universidades e iniciativas da sociedade civil - para, através de fóruns e debates, criar agenda propositiva de médio e longo prazo.
Com a presença de empresários e os governadores de Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Piauí, o MBC realizou ontem em São Paulo seu evento de encerramento do ano e apresentou o estudo "Desafios da Gestão Estadual", feito pela consultoria Macroplan.
O levantamento reúne uma série de indicadores e compara as 27 unidades da federação com base em dez parâmetros: educação, infraestrutura, juventude, saúde, segurança, desenvolvimento econômico e social, condições de vida, institucional e gestão fiscal.
Entre as principais conclusões está a de que o Brasil não tem um Estado "modelo", já que nenhum deles mostrou uma evolução consistente e significativa em todas as áreas nos últimos dez anos. Santa Catarina e São Paulo, por exemplo, ocupam as primeiras posições em diversas áreas, mas estão entre os piores no ranking do crescimento médio real do PIB de 2001 a 2011, de abastecimento de água, no caso de Santa Catarina, e de aglomerados subnormais, em São Paulo.
Em áreas em que os Estados mais avançaram - a redução da taxa de homicídios em Pernambuco e da mortalidade infantil no Ceará -, a análise ressalta a presença da boa gestão pública, tão importante quanto a disponibilidade de recursos financeiros, e pondera que as boas práticas são pouco replicadas, porque há pouco conhecimento sobre os casos de sucesso.