29/11/2014
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Tribuna do Norte
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fiogf49gjkf0d Alexandre Mattos - Administrador e diretor associado da Macroplan
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O futuro econômico do Rio Grande do Norte está centrado em 12 oportunidades de negócio. Estas deverão nortear a carteira de investimentos - estatais e privados - pela próxima década. A conclusão é do programa Mais RN, desenvolvido pela Federação da Indústria (Fiern) e o Governo do Estado, que apresenta nesta segunda-feira (1º) um refino dos 403 potenciais empreendimentos identificados inicialmente.
Segundo o administrador e diretor associado da consultoria Macroplan, Alexandre Mattos, esse refinamento é importante para definir o que deve ser feito e explorado primeiro. "A grande maioria (destas ações) deve acontecer nos próximos dez anos. As coisas são pensadas visando 20 anos, mas devem acontecer em uma década. Nem tudo acontece porque a carteira de investimentos é muito alta. Por exemplo, as que dependem das condições externas", explica Mattos.
O resultado da nova etapa do Mais RN será apresentada durante a 22ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento, a partir das 8h, no auditório Albano Franco da Fiern. O tema deste ano é "Perspectivas econômicas para o Brasil e o RN". Nesta entrevista, Mattos detalha o desenvolvimento do estudo. Veja:
Qual a importância desse diagnóstico feito para o estado?
O MAIS RN é um plano de desenvolvimento econômico. Ele tem um diagnóstico dentro dele, mas ele propõe soluções mais do que entende os problemas. O RN é um estado que tem muito potencial econômico nas indústrias, nos serviços e novas. O mais clássicos são eólico, turismo, o sal. Mas o aeroporto pode trazer coisa nova, se tornar um hub logístico e, se o estado melhorar os índices educacionais, trazer indústria de ponta. Tecnologia demora, não é para o ano que vem, é para a próxima década. O estado não é uma empresa que você pensa quatro anos para a frente. Ele se desenvolve em ciclos de cinco, dez anos. Você tem que fazer mudanças hoje para trazer melhorias lá na frente. Por exemplo, a transposição do São Francisco vai chegar, então você precisa aumentar a área agricultável. A produção de peixes em fazendas marinhas que hoje é pouca e tem muito potencial no estado.
São potenciais que já existiam. O que impediu que eles se desenvolvessem?
É preciso um investimento contínuo. Por exemplo, para a eólica se desenvolver foi preciso fazer linhas. Daqui a um tempo vai ser preciso ligar o RN a outros estados, por exemplo. O desenvolvimento vem a partir do acúmulo de investimentos. Você vai ampliando um potencial eólico. Não é só mais um negócio, pode ser um grande negócio. O RN tem potencial para ser uma Itaipu (usina hidrelétrica) dos ventos. Há abertura dentro do mercado brasileiro e nas próximas duas décadas, como a eólica está ficando mais barata por conta do desenvolvimento tecnológico e como a hidráulica está ficando cada vez mais cara por causa da distância, cada vez mais abre espaço para a eólica. Não tanto para a solar, que vai demorar pelo mais uma década. A eólica tem que ser pensada nos primeiros dez anos. Mas isso não é só no RN: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul estão concorrendo. É preciso que o estado esteja preparado para colher os investimentos, pois potencial há, inclusive nas fronteiras do mar. Quando você adiciona o potencial marítimo fica ainda mais atrativo. É preciso mobilizar os capitais internacionais e junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Obviamente é um espaço competitividade.
O senhor falou que é preciso investimento do estado, mas o capacidade do RN para isso é de menos de 1,5%. Como as metas podem ser alcançadas dada a situação econômica?
Há investimentos que não dependem só do estado, mas que podem ser estimuladas por uma ação política que pode acelerar o processo. Passa por âmbito federal e ligada. Se o estado não tentar ligar as pontas, as coisas não acontecem ou acontecem muito devagar. Outras dependem do contexto mundial. Por exemplo, a exploração do minério de ferro, o preço caiu. Se o ferro estivesse lá em cima era certeza de um novo porto ou uma nova ferrovia para o RN, mas enquanto a situação for esta, nada é possível fazer, o projeto se torna inviável. No contexto estadual depende o investimento nas estradas, escolas, qualidade da região metropolitana. Neste caso é importante um ajuste fiscal do Estado, o que não é um problema exclusivo do RN. Todos estão com essa dificuldade por causa do baixo desenvolvimento econômico. Tem que elencar prioridades, não dá para fazer tudo.
Quais seriam essas prioridades?
Educação, educação, educação. Pernambuco e Ceará avanço, o RN perdeu posição. Não depende tanto de investimento, não é jogando dinheiro no problema que você resolve ele. É preciso liderança de gestão, muito trabalho junto aos professores e recurso. Atenção da sociedade potiguar, que precisa olhar para educação de uma forma diferença.
A carência do mercado é essa mão de obra que sai do ensino médio?
É preciso refletir que a gente só pensa mão de obra como algo que precisa abastecer a indústria e a economia. Mas é o contrário, as pessoas qualificadas é que abastecem a economia, elas não são apenas insumos para a indústria ou os serviços. Não tem sociedade econômica com liberdade econômica que não seja próspera. Você não deve educar apenas para suprir mão de obra. Você precisa porque são essas pessoas que vão demandar serviços e trabalhos. Uma pessoa sem educação vai ser um adulto improdutivo e sem capacidade de consumir. Tem que parar de olhar a educação como algo para fornecer a economia, mas como a principal riqueza que a gente tenha. E é esse um dos focos do Mais RN.
No estudo, vocês estabelecem ?como chegar lá?. Quais devem ser as primeiras ações?
São quatro eixos. O primeiro é melhorar substancialmente a falta educacional, para que a próxima geração seja próspera. Dois, melhorar a capacidade de gestão e prestação dos serviços públicos, educação e outros, como recuperar a capacidade do estado de investir. Terceiro é infraestrutura, com recursos estaduais, federais, privados. E depois na atividade econômica porque o empresariado é quem gera o PIB. O papel central é do empreendedorismo potiguar. Preciso que a sociedade faça um pacto em pró-saltos.
Mas como aproximar o empreendedorismo da indústria?
No Brasil como um todo a indústria tem o desafio de competir com a indústria chinesa. O problema não é ter investidor. A indústria depende de competitividade, logística, infraestrutura, fatores no entorno que garantem a competitividade sistêmica. Acesso a mercados, gente educada, baixa burocracia. Há muitos empreendedores no RN, mas é preciso ter mais gente tentando e mais espaço para isso. Também tem os incentivos fiscais. O estado está caro demais para competir. Ceará e Pernambuco estão mais agressivos, com margem para investir. Mas acreditamos que nos próximos 10 anos a guerra fiscal vai acabar. A competitividade não será pela renúncia fiscal, mas outros fatores como os que o Mais RN contempla. Capital humano, infraestrutura e governança.
No Mais, vocês criticam essa ?busca generalizada por privilégios?...
Isso não é uma marca apenas do RN, mas do Brasil. É um tema muito forte na economia brasileiro porque a sociedade ainda confunde direitos com privilégios. Supersalários, aposentadoria precoce, seguro-desemprego mal utilizado. Às vezes alguns são beneficiados em detrimento da maioria. O RN tem um judiciário muito caro comparado com o nordeste, isso não pode. Não é um caso específico, mas do Brasil todo. É preciso investir na educação e ter menos recurso disperso nos privilégios. Juros subsidiados para empresários no BNDES, por exemplo, é uma cultura que existe no Brasil. No país e também no RN privilégios estão disfarçados de direitos.
Com relação às 403 oportunidades, como foi a identificação?
Hoje estamos na fase de refino, dividimos em 12 grupos que vamos apresentar na próxima segunda-feira. Você tem as principais oportunidades em cada setor. Por exemplo, prioridade hoje é o eólico. Daqui a quatro anos, terminando o São Francisco, é a fruticultura irrigada. Neste caso, os empresários estão se preparando para a chegada das águas? E as obras complementares do estado, estão em dia? Outra onda é um pós-aeroporto. Este temos que ver numa perspectiva de longo prazo. A cidade do futuro se desenvolve mais em volta dos aeroportos do que portos.
Por que?
A economia hoje está ficando mais focada em serviços e pessoas bem formadas. Então você tem o fluxo de bens via contêineres, mas cidades grandes são hubs de pessoas. Em vez de mandar o produto, quem viaja são pessoas fazendo negócios. A medida que a renda sobe, essas cidades mudam. O Brasil ainda vai passar por uma expansão maior da aviação. Os estados precisam entrar na era do conhecimento, por isso é preciso ter um povo educado. Outro pós é um revigor ao turismo, pois o turismo de sol e praia tem limites. Há também os serviços avançados de saúde, por exemplo, que geram mais valores do que a indústria. Natal precisará investir nisso para se consolidar como metrópole. Há muita oportunidade diversificada.
Essas 12 ações devem sair em quantos anos?
A grande maioria deve acontecer nos próximos dez anos. As coisas são pensadas visando 20 anos, mas devem acontecer em uma década. Nem tudo porque a carteira de investimentos é muito alta. Por exemplo, as que dependem das condições externas.