11/11/2014
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Novo Jornal
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Diretor da Macroplan e responsável técnico pelo mais RN, Alexandre Mattos, afirma que sem empreendedorismo o Rio Grande do Norte não vai se desenvolver
O "Mais RN" foi elaborado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) através da empresa de consultoria Macroplan. A empresa identificou o potencial econômico local para transformar no "Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte com foco em Oportunidades de Investimentos e Negócios no horizonte 2014-2034". O diretor da empresa e responsável técnico que dirigiu o projeto, Alexandre Mattos, fala em entrevista o que de mais relevante foi observado, em que fase o projeto de encontra, os resultados, expectativas e indica quais são os desfios e os caminhos que o governador eleito, Robinson Faria (PSD), deverá trilhar para chegar aos objetivos propostos, com ênfase em não esperar o investidor vir ao estado, mas fazer uma busca ativa por este investidor.
NJ: O que de mais notável, a Macroplan identificou e destaca nos estudos do Mais RN?
Alexandre Mattos: O Rio Grande do Norte tem muitas oportunidades a serem exploradas. Muitas já são, inclusive, de conhecimento de todos, como sal em Mossoró, extração de óleo, enfim. Estas já conhecidas, alinhadas com os negócios do futuro no Estado.
Que negócios promissores são esses?
A instalação de usinas eólicas com enorme potencial de energia em terra e no mar. O potencial turístico que o estado ganhou e que pode ser impulsionado agora pelo novo aeroporto. A possibilidade de se aproveitar a transposição do Rio São Francisco, a carcinicultura e também a energia solar que ainda não chegou com ênfase, mas é uma das apostas para o estado.
E o que é necessário para que tudo isso aconteça na prática?
Requer muita tecnologia para alta produtividade e também precisará de muitos recursos investidos para se aproveitar. Agora, o desenvolvimento não vem de uma vez só. Requer tempo e investimentos. As eólicas precisam avançar na questão das linhas de transmissão, a transposição do São Francisco ainda vai chegar.
Pelos estudos da Macroplan, qual é o posicionamento do estado em relação a outros estados da região e do país?
Cada estado tem suas peculiaridades. O ranking que fazemos é o tamanho do PIB de cada estado do país. Cada estado tem um potencial diferente e sempre tem os estados vizinhos como concorrentes por terem características parecidas.
O Mais RN já está concluído?
O Mais RN ainda está em elaboração. O Plano de Desenvolvimento é apenas uma peça dele e foi divulgado há alguns meses. Já os projetos com valores dos investimentos, onde buscá-los e a estimativa de prazos ainda está em elaboração.
O que está sendo identificado nesta nova etapa do Mais RN?
Estamos executando o mapeamento de oportunidades. Das 400, umas 20 serão mais trabalhadas. Estão sendo levantados em cima de projetos e oportunidades para serem transformadas em projetos. Qual o projeto? Quanto custaria? Qual a possibilidade concreta para começar e concluir? É uma avaliação mais numérica em cima de uma carteira e priorização das oportunidades.
Quando está fase será concluída? Qual será o resultado dela?
Este produto fica concluído em dezembro. O que já veio a publico foi o projeto principal. Tem ainda uma carteira de projetos estruturantes que deverá ser executada nas três esferas do poder público e também com a iniciativa privada. São obras de infraestrutura para proporcionar a chegada de investidores. Tem ainda obras requalificação de cidades e possíveis centros de pesquisas, mas ainda vamos chegar nessa etapa no primeiro semestre do próximo ano.
A partir da conclusão desta etapa, o que se espera que aconteça? Em quanto tempo?
Depois disso tudo, a ideia é que haja uma busca ativa dos investidores. São Paulo, por exemplo, tem uma agência de investimentos, raramente esse investidor vai procurar o Rio Grande do Norte. Agora espera-se que se faça o contrário, mostrando o estado e suas oportunidades, bem como a infraestrutura que pode oferecer participando de workshops,eventos dos setores e já tem disponível o site do Mais RN. Essa fase vai detalhar esses projetos num trabalho mais técnico.
Foram identificadas mais de 400 oportunidades de negócios no estado. Porque essas oportunidades não se concretizaram ainda?
Tudo depende de planejamento e muito trabalho para resultados em longo prazo. O porto de Suape, em Pernambuco, demorou 30 anos para sair do papel e alavancar o estado. Contudo, o que tem que se pensar é que não basta esperar as coisas acontecerem. É preciso fazer uma busca ativa pelo investidor que é disputado a tapa pelos outros estados.
Como fazer essa busca?
Tem que pôr o projeto no braço e buscar os investidores. O Governo, a Fiern, empresários precisam gastar sola do sapato. A grande mensagem do Mais RN é que dá pra fazer muita coisa, mas sem empreendedorismo e busca ativa vai ficar devagar. O estado tem que partir de uma atitude passiva para uma atitude ativa em que será preciso buscar dinheiro fora.
Dificuldades financeiras do Estado podem travar o alcance das metas ou, mesmo com caixa ?apertado? há saídas para viabilizá-las?
Todos os estados do Brasil têm uma situação fiscal delicada. Alguns pior outros melhor, mas todos necessitam fazer ajustes fiscais porque o estado não fabrica dinheiro, tem que fazer esforço para economizar e investir, mas também buscar os investidores privados e também bancos dentro e fora do país. Não se encontra o desenvolvimento sem capital privado.
Quais serão os maiores desafios do novo governador do estado para conseguir alavancar projetos?
Primeiramente encontrar o equilíbrio fiscal, a capacidade de investimentos e promover melhoria substancial na educação para plantar o futuro. Esse desafio é tão grande que todo e qualquer estado precisa promover grande salto educacional para que as próximas gerações possam viver num estado econômico e socialmente melhor. É preciso fazer ampliação do ensino técnico como um todo, a Fiern e Senai têm papel de ampliar a oferta de cursos profissionalizantes. Temos a nota do IDEB para se basear no ensino público e não pode descansar enquanto não elevar essa nota. Se fizer isso haverá uma diferença enorme em dez anos no crescimento no estado.
Como o Mais RN interpreta a execução do programa RN Sustentável?
O terceiro desafio para o governador é trazer recursos para o estado. O RN Sustentável é um programa excepcional que dispõe de capital privado, mas ninguém investe se não tiver bons projetos, quem não tem bons projetos, jamais vai conseguir investidores.
A Macroplan vai se reunir com o novo governador?
Isso deve acontecer na próxima semana, quando faremos no mesmo dia uma palestra apresentando de forma mais direcionada o programa. Vai ser oportunidade de mostrar o que já existe o que está por fazer valido e pronto para o novo governador usar e fazer na parte econômica.