02/01/2009
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O Globo - Opinião
O Rio vislumbra a possibilidade de abrigar uma sociedade educada e econômica e ambientalmente revigorada nos próximos 20 anos. O que decidirá esse sucesso no futuro pode ser sintetizado em uma palavra: ruptura.
Ruptura no seu próprio conceito de sociedade, que perdeu seus valores na sobrevivência em meio a uma guerra autodestrutiva; ruptura na sua gestão pública, que precisa urgentemente se reinventar para construir as bases de um novo Estado, competente, eficaz e orientado para resultados; ruptura na sua capacidade empresarial, hoje restrita a poucos setores dinâmicos, para criar o empreendedorismo local; ruptura no sentimento de seus cidadãos, marcados pela desesperança.
Para imprimir uma descontinuidade benigna na trajetória do Rio de Janeiro serão necessárias ações com diferentes horizontes temporais. Somente a longo prazo poderão ser viabilizadas transformações estruturais na base da sociedade.
Já a curto prazo, o governo do Rio tem a oportunidade de ser o agente propulsor da mudança e, se o fizer, terá o apoio e o engajamento vigoroso de outros setores.
No entanto, para cumprir esse papel o governo deve dar o bom exemplo e demonstrar que essa ruptura se iniciou dentro da gestão pública e que terá força suficiente para estimular a descontinuidade em outras esferas, ou mesmo despertar o interesse de investidores com sinais de melhoria do ambiente de negócios e credibilidade.
Ao lado da atenção prioritária à educação e à saúde - as bases do desenvolvimento futuro - um dos mais importantes e urgentes desafios do Rio de Janeiro é alcançar uma redução substancial da violência e da criminalidade.
O crescimento da violência no estado vem contribuindo para a degradação da qualidade de vida, o deslocamento da mão-de-obra qualificada para outras localidades e prejudicando, de forma crescente, a qualidade do ensino nas comunidades de risco.
A agenda estratégica da mudança passa, portanto, pela iniciativa governamental, embora de maneira alguma se restrinja a ela. A ruptura na gestão pública fluminense pode servir como um fator propulsor da mudança e o governo como um agente condutor no início dessa trajetória, por meio da ação efetiva em fatores estruturadores, capazes de irradiar influências positivas por todo o sistema.
* Claudio Porto e Andréa Belfort são empresários.