20/10/2014
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Correio Braziliense
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fiogf49gjkf0d Fonte: Banco Mundial, CNT, CNA e Doing Business
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A resposta ao baixo crescimento econômico, à inflação persistentemente elevada e à dificuldade da indústria em reagir à agressiva concorrência externa passa, necessariamente, pelo combate ao Custo Brasil. A falta de estradas transitáveis, a burocracia alfandegária e a sanha arrecadatória por impostos estão entre os fatores que tornam quase tudo no país mais caro do que no exterior. É um problema histórico que continua a desafiar os governos e a minar a competitividade nacional.
Um simples exemplo dá a dimensão desse obstáculo. O mesmo pneu vendido no Brasil chega a custar, em média, 130% a mais do que nos Estados Unidos. O cálculo, feito pelo economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, reflete o quão desigual é o sistema tributário. Mas há bem mais a se colocar nessa conta. O preço elevado dos fretes é um deles. Levar um navio de Recife ao Rio de Janeiro, por exemplo, chega a custar o dobro do preço para transportar a mesma mercadoria até a China.
Se a entrega for via terrestre, no entanto, os gastos podem ser até cinco vezes maiores. Muito em razão da precariedade das estradas e ao alto custo com a proteção contra roubos de mercadorias. O Brasil tem 65,9 mil km de malha asfaltada, o mesmo que tinha a China em 2009 e ainda menos do que ostentava os EUA cinco anos atrás (80 mil km). Essa diferença já foi até maior. Ao longo da última década, o governo federal construiu com recursos próprios ou com parceiros privados 8 mil km de estradas. Mesmo assim, dois de cada 10 km nem sequer são asfaltados, conforme dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
Só para que o Brasil compensasse o deficit existente, seria necessário construir mais 21 mil km, estima a consultoria norte-americana Bain&Company. O custo, porém, inviabiliza o início imediato das obras: R$ 250 bilhões. É praticamente 10 vezes o valor gasto com o Bolsa Família, R$ 24,5 bilhões em 2013, segundo a organização Contas Abertas. As dificuldades são ainda maiores para quem depende da agilidade da burocracia portuária. Enquanto que, em Cingapura, o tempo médio para importar uma mercadoria é de quatro dias, no Brasil, esse prazo é de 17 dias. Os preços cobrados também impressionam. Cada contêiner que sai dos portos nacionais custa, em média, US$ 2.215 ao exportador. Nesse quesito, o Brasil tem o terceiro pior desempenho entre países da América Latina.
Se a comparação for feita com a parte de cima da tabela, as diferenças são gritantes. No Panamá, o custo por contêiner exportado não chega a um terço do que é cobrado no Brasil: US$ 625, conforme dados do Banco Mundial. "É uma vergonha", classificou o economista Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Febraban. "Custo elevado aumenta preço, e preço mais alto reduz competitividade", arrematou. Outro retrato da burocracia é a demora para abrir uma empresa: na América Latina, país só perde para a Venezuela nesse quesito. Enquanto aqui se leva mais de três meses, no Chile bastam cinco dias.
Protecionismo
Quem mais sofre é a indústria, que, nos últimos quatro anos, encolheu em três pontos percentuais a participação sobre o PIB. "Ou se muda o modelo atual ou, daqui a pouco, a indústria vai acabar", sentenciou. Há duas formas de combater o problema. Em campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) aposta na recuperação do mercado internacional para elevar as exportações e, com isso, recuperar em parte as margens de lucro.
Seu adversário, Aécio Neves (PSDB), defende que o governo crie condições para que o setor privado amplie os investimentos produtivos, que secaram nos últimos anos. À medida que o Estado ampliou o intervencionismo na economia, ao tabelar preços e controlar a taxa de câmbio, a proporção de investimentos sobre o PIB caiu de 18% para 16,5%. O ideal, defende o plano de governo de Aécio, é elevar essa taxa para próximo de 25% do PIB.
Trata-se da mesma promessa feita pela presidente, que,quando estava em campanha pela primeira eleição, quatro anos atrás, se comprometeu a elevar, até 2014, a taxa de investimentos para um quarto da economia. Fracassou por ter mantido uma política pouco amigável ao capital, emendou o economista Claudio Porto, presidente da Macroplan. "O governo não tem poder para, sozinho, fazer a economia crescer. Ou traz o setor privado para investir, ou ela continuará andando de lado" disse.
Nem mesmo o consumo das famílias, que fora o grande motor do crescimento dos últimos anos, conseguirá tirar o país do atoleiro. "A euforia com o consumo desenfreado acabou. Só quem não entendeu isso ainda é o governo, que continua apostando todas as fichas no consumo. Mas, o quanto antes as políticas mirarem o crescimento, mais cedo a gente conseguirá vencer problemas de competitividade que ameaçam a retomada", disse o economista Fabio Silveira, diretor de pesquisa da GO Associados.