Melhorar a competitividade do Brasil deveria ser a prioridade do próximo governo. A discussão sobre o tema deixou há muito de ser 'se' e passou a ser 'como', acordaram especialistas que se reuniram na terça feita no Grupo Estado durante evento da série Fóruns Estadão Brasil Competitivo - Os caminhos para o Brasil 2022 , patrocinado pela Confederação nacional da Indústria (CNI).
Também foi uníssono o discurso dos participantes em torno da necessidade de união do setor público (Executivo, Legislativo e Judiciário),setor privado e academia em torno do propósito único de se estabelecer uma boa governança para atingir a tão almejada competitividade dos fatores de produção brasileiros.
Ex-ministro- chefe da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso e sócio executivo da Prada Administradora de Recursos, Pedro Parente ressaltou a capacidade de execução fiscal do governo como um dos principais desafios para que o modelo de governança do País resulte em um avanço de competitividade. "É inevitável fazer a ligação entre o governo e a competitividade", destacou o executivo. De acordo com Parente é impossível para o Brasil ser mais competitivo sem que haja uma melhor atuação fiscal do poder público. Presente ao evento na condição de ministro interino do Meio Ambiente, Francisco Gaetani dissse que a discussão sobre competitividade no atual momento do País não é mais uma questão de escolha , e sim um imperativo.
"É um debate que se assemelha à maré. Ou mergulhamos todos juntos e subimos juntos com a maré ou não seremos tão competitivos quanto precisamos", alertou o secretário executivo do ministério
Na visão dele, não basta o Brasil ser grande e importante do ponto de vista do tamanho. É preciso o País ser competitivo, justo e se integrar aos padrões que dêem condições para a construção de futuro e condições de melhoria da população.
Gaetani disse ainda que todos os países competitivos do mundo têm governos fortes. ?"Não são governos grandes. São governos participantes e que atuam no desenvolvimento do mercado, na criação das condições do desenvolvimento social e que, claramente, dão suporte ao setor privado", disse o secretário, acrescentando que nos países competitivos há uma ação conjunta entre os setores público e privado.
Modelo - Carlos Alberto Pires, diretor da CNI, afirmou que o maior objetivo da construção de um novo modelo de governança para o Brasil precisa ser a busca por maior competitividade para a economia brasileira, tanto na economia doméstica , quanto no cenário externo.
"Precisamos de um novo modelo de governança e sabemos que essa reforma demandará novas formas de cooperação entre as esferas do governo - Executivo Legislativo e Judiciário - mas estamos cientes de que o empresariado precisa participar deste processo", afirmou o executivo numa clara convocação dos empresários para compor uma eventual força-tarefa para restabelecer a governança que levará à conquista da competitividade.
Lembrando que poucos dias separam o eleitor das urnas que elegerão o novo presidente da República, governadores e parlamentares, o diretor associado da Macroplan Prospectiva Estratégia& Gestão, Gustavo Morelli, defendeu que a criação de uma agenda de competitividade para o País deveria ser uma preocupação central do governo federal no próximo ano, seja qual for o candidato eleito.
"Para nenhum dos candidatos o desafio da competitividade é opcional", afirmou Morelli emendando que um avanço social e econômico do País não será possível sem que haja um aumento da competitividade.
Eficiência - Marcos Lisboa, diretor vice-presidente do Insper e ex-secretário executivo do ministério da Fazenda do governo Lula, foi taxativo ao afirmar que a competitividade é fundamental para a gestão pública e para a consolidação de um Estado eficiente.
Ao longo de sua palestra, Lisboa foi bastante crítico à falta de eficiência do Estado, especialmente no que diz respeito a regras e instrumentos para o acompanhamento da eficiência das políticas públicas.
Ele usou como exemplo de prática de um Estado ineficiente a falta de monitoramento dos resultados das políticas setoriais adotadas pelo governo depois da crise econômica global de 2008. A partir daquele ano, o governo brasileiro passou a adotar políticas de incentivos a alguns setores sem nunca fiscalizar os resultados e a sua eficácia.
"Todos os países praticam políticas setoriais, mas a tradição de se avaliar a eficiência das políticas setoriais no Brasil não funciona", criticou Lisboa.