Encerrou-se o frustrante espetáculo da Copa, inicia-se outro, talvez igualmente decepcionante. Inicia-se o espetáculo teatral das eleições. Ficará desapontado quem quiser saber as propostas distintas de um e outro candidato. Eles seguirão a cartilha dos marqueteiros, em função dos votos a ganhar independentemente do que pensam realmente fazer.
A situação deverá enfatizar as conquistas do presente, mas, sobretudo do passado recente: a redução da pobreza, o baixo índice de desemprego, o Luz para todos, a expansão da moradia. A oposição enfatizará os fracassos da atual gestão e os riscos de sua permanência, citando PIB reduzido, déficit na balança comercial, desequilíbrio nas finanças públicas, queda nos investimentos e decrescimento da produção industrial.
Não sabemos quem será o vencedor, mas sabemos o que nos espera. No curto prazo, será necessário equilibrar a economia, introduzir melhorias na oferta dos serviços públicos, em particular nas áreas de saúde e segurança pública, e, assim, reduzir a desconfiança dos brasileiros nas instituições.
No médio prazo, os desafios são outros. O primeiro deles será o de retomar o desenvolvimento, o que implicará superar o modelo de crescimento econômico baseado apenas no consumo. Para tanto, será necessário, sobretudo, estimular os investimentos e a competitividade da economia. O segundo refere-se à substituição, vagarosa, do modelo assistencialista de inserção social pelo de inserção socioprodutiva, na medida em que o primeiro não tem condições de consolidar o curso da redução da pobreza.
O terceiro desafio, e talvez o mais difícil, deverá ser o de iniciar o processo de reformas institucionais que poderão dar legitimidade maior às nossas instituições, em fase de perigoso desgaste. E a medida mais urgente seria a reforma política, com foco claro de reduzir os custos eleitorais e aproximar os representantes dos representados. Isso pode ser obtido com três mudanças simples, embora trabalhosas: o fim das alianças eleitorais no primeiro turno, a eliminação do abuso da TV em programas eleitorais e a adoção do sistema eleitoral distrital ou misto.
Esses desafios de médio prazo, que ultrapassarão um mandato presidencial, implicarão dois movimentos simultâneos, que funcionarão como alavancas das mudanças: a negociação política e social, com o parlamento e a sociedade, e a melhoria da gestão pública, incluindo forte desburocratização do aparelho de Estado.
Elimar Pinheiro Nascimento é professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília e consultor da Macroplan