18/07/2014
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Tribuna do Norte
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fiogf49gjkf0d Claudio Porto, da Macroplan, alerta para a necessidade de infraestrutura
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O Rio Grande do Norte possui mais de 400 oportunidades de negócio em vista até 2035, em 15 segmentos de sua economia, o que poderá trazer um crescimento de até 5% ao ano para o Estado nos próximos 20 anos. Isso é o que mostra o diagnóstico do Programa Mais RN, elaborado pela consultoria Macroplan a pedido da Federação das Indústrias do RN (Fiern), em parceira com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O lançamento do Mais RN será realizado hoje, às 9h, na Casa da Indústria.
Embora identifique mais de 400 oportunidades de negócio, o estudo também traz um raio-x dos gargalos que precisam ser superados para que o crescimento do Rio Grande do Norte se torne uma realidade, saindo da marca atual de 2% ao ano para os 5% almejados. Investimentos em infraestrutura, educação, além de um trabalho voltado para a restauração do equilíbrio fiscal e a melhoria da regulação ambiental e dos serviços públicos são apontados como alguns dos pontos prioritários para que o estado possa aproveitar todo o potencial que dispõe.
De acordo com o diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto, o Programa Mais RN é uma agenda para o desenvolvimento econômico e para a promoção de investimentos privados no estado que dará ao Rio Grande do Norte competitividade em relação aos estados vizinhos.
"Um exemplo disso é a energia eólica, que poderá triplicar sua capacidade instalada atual, de 1.664 MW, chegando a 5.400 MW, o que representa 38% de Itaipú", destaca. "Isso levando em conta a tecnologia atual. É provável que isso se amplie com o novas tecnologias", acrescenta.
A energia solar também é destaque no estudo. Segundo Porto, o RN tem capacidade para gerar até 1.000 MW desse tipo de energia, o que equivale a 7% do que é gerado na Usina de Itaipú.
A indústria extrativa também é vista como um potencial do RN. "É possível multiplicar por 10 a produção de minério de ferro. Hoje são produzidos 500 mil toneladas por ano. Esse número pode chegar a 5,5 milhões toneladas ao ano até 2035", diz.
Entre os segmentos com maior potencial no RN, também estão relacionados no estudo Alimentos e Bebidas, Óleo e Gás, Fruticultura Pesca e Aquicultura, Indústria de Transformação, Construção Civil, Cerâmica, Confecção, Base Tecnológica, Financiamento, Serviços Avançados e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
Os diagnóstico não inclui os investimentos que poderão ser atraídos nos próximos 20 anos, que serão dimensionados numa etapa futura do projeto. "Concluímos o levantamento dos potenciais e das necessidades. A parte seguinte é fazer uma filtragem e identificar o que será necessário em investimentos privados e também públicos", diz.
As informações do estudo já estão disponíveis através do site www.maisrn.org.br. "O site é um importante instrumento, que serve de vitrine para os investidores terem acesso ao meio produtivo do estado", explica Claudio Porto.
Programa
O presidente da Fiern, Amaro Sales, destaca a participação de vários setores da sociedade potiguar para a consolidação do Programa Mais RN. "Convidamos um grupo de empresas e 12 se prontificaram a participar com o custeio do estudo. O Governo do Estado prestou informações que serviram de subsídio para o projeto e também o Sebrae teve papel importante, na realização de fóruns regionais. Temos a certeza de que o projeto ficou bom, tendo em vista a participação de todos esses atores", avalia.
Amaro Sales ressalta que o estudo é um Programa de Estado, que independe de quem será o futuro governador ou o próximo presidente da Fiern. "As dificuldades que o Rio Grande do Norte tem hoje existem em função do Estado ter parado de planejar, de pensar no futuro", afirma Sales.
Aeroporto Augusto Severo
No lançamento do Programa Mais RN, a Macroplan apresentará ainda a proposta de um Plano Diretor para uso civil de áreas que venham a ser liberadas no Aeroporto Augusto Severo. "Nossa proposta é fazer um Plano Diretor que harmonize com o Plano da região metropolitana de Natal. Isso sem esquecer jamais que a destinação principal do aeroporto é militar e aeronáutica", explica Claudio Porto, diretor presidente da Macroplan. Ele não antecipou detalhes sobre a proposta da empresa para o antigo aeroporto, que fechou as portas no final de maio.
Segundo Porto, a empresa foi procurada para discutir a questão do uso civil do antigo aeroporto e o compromisso assumido foi o de apresentar no dia do lançamento do Mais RN a forma tecnicamente adequada de abordar o problema.
Claudio Porto afirmou ainda que não se trata de um estudo de viabilidade técnico-econômico-financeira para o Augusto Severo. "Seria impossível fazer um estudo sério desse tipo no prazo de 30 dias, inclusive de um equipamento que tem fortes restrições legais e operacionais", acrescenta.
Infraestrutura e investimentos são gargalos
A remoção de gargalos de infraestrutura e da gestão pública é um ponto fundamental para que o Rio Grande do Norte cresça mais. Conforme identificado pela Macroplan no estudo elaborado para o Programa Mais RN, o Estado é um dos que investem menos no Nordeste, ficando à frente apenas de Sergipe.
"O investimento público é essencial na educação, na melhoria da infraestrutura, inclusive com a participação de agentes privados, e também na melhoria da eficiência do estado", explica o diretor presidente da Macroplan, Claudio Porto.
Em termos de infraestrutura, o estudo aponta a necessidade da construção de um novo porto para o RN para a melhorar a capacidade de escoamento da produção de minério de ferro e da fruticultura, por exemplo. Ferrovias também tem papel fundamental nesse aspecto, diz Claudio Porto, interligando os setores produtivos às estruturas de escoamento marítimas e aérea.
Ele acrescenta que é preciso melhorar a distribuição de energia para desenvolver o setor eólico, além dos recursos hídricos, fazendo chegar as águas do rio São Francisco para viabilizar a fruticultura.
Nas esfera governamental, o estudo destaca a importância de garantir equilíbrio fiscal, viabilizar incentivos fiscais, melhorar a regulação ambiental e as redes de serviços públicos. A educação em todos os níveis também precisa de atenção, segundo Claudio Porto.
"Um ponto central é que há disputas muito acirradas no estado. É urgente que haja um pacto das principais lideranças em prol do desenvolvimento do Rio Grande do Norte", ressalta Porto.