17/07/2014
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Correio Braziliense
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fiogf49gjkf0d Claudio Porto alerta que descuido com carestia pode ser fatal ao governo
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Taxa Selic é mantida em 11% apesar de a inflação de 12 meses ter estourado o teto da meta em junho. Prioridade agora é o crescimento.
O Banco Central (BC) jogou a toalha e, mesmo diante da escalada da inflação, anunciou ontem a manutenção dos juros básicos da economia em 11% ao ano. A medida, apesar de já esperada pelo mercado financeiro, deixa claro que a prioridade do governo em um ano de eleições é evitar que o país entre em recessão, o que levaria, inevitavelmente, a uma alta do desemprego. Não por outro motivo, ao comunicar ontem a decisão de manter a Selic inalterada pelo segundo mês consecutivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou a porta aberta para, inclusive, um corte na taxa básica, assim como fez em agosto de 2011.
Na ocasião, mesmo com a inflação em 7,23% ao ano, o BC deu um cavalo de pau na política monetária e anunciou um corte inesperado de 0,5 ponto percentual na Selic. A justificativa dos diretores do Copom era que uma recessão mais forte do que o esperado nos Estados Unidos e na Europa ajudaria a reduzir a inflação no Brasil, o que não aconteceu. Mesmo tendo visto o plano naufragar, o BC seguiu cortando a taxa básica, que caiu de 12,5% ao ano para o menor patamar histórico, 7,25%.
O cenário atual é parecido com o de 2011, com uma diferença: em vez da retração externa, o que pode pesar a favor da queda da Selic é o baixo crescimento econômico do próprio Brasil. Nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou apenas 0,2%, um dos menores desempenhos em todo o mundo. Para o segundo trimestre, as perspectivas são ainda piores. Nove em cada 10 analistas apostam em retração da atividade econômica. Mesmo entre os otimistas, a estagnação já seria um bom resultado.
A economista Tatiana Pinheiro, do Santander, não tem dúvidas de que, ao repetir ontem o comunicado divulgado em maio, o Copom deixou as portas totalmente abertas para qualquer alteração no plano voo já a partir da próxima reunião, marcada para 2 e 3 de setembro. "Ao manter a expressão 'neste momento', eles (diretores) deixam tudo em aberto, e mostram que vão aguardar a divulgação dos próximos indicadores econômicos, seja de cenário externo, seja de inflação no Brasil, para tomar as próximas decisões da política monetária", assinalou.
O item número um dessa agenda é a divulgação em 29 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do PIB do segundo trimestre do ano. Tatiana diz que apenas um "colapso muito forte da atividade econômica" autorizaria um corte na taxa básica de juros. "Isso ou uma política de contração fiscal (por parte do Ministério da Fazenda), mas também não temos visto isso no Brasil", observou.
Camisa de força
Até ontem, as apostas de que a Selic seguiria inalterada até o fim de 2014 eram dominantes no mercado financeiro. Para os analistas ouvidos pelo Correio, o BC está numa espécie de camisa de força, em que nada pode fazer para derrubar a inflação ou ajudar a estimular o crescimento econômico. O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, disse, por exemplo, que, se o BC tivesse optado por retomar a alta de juro, o efeito prático seria afundar a economia numa recessão, o que "certamente ninguém quer". "Ao mesmo tempo, nos patamares em que a inflação está hoje, ela praticamente impede que o BC reduza juros para estimular a economia", emendou.
Cálculos da consultoria Gradual Investimentos mostram uma preocupante tendência de piora da inflação. O estouro da meta deverá se repetir pelo menos outras cinco vezes até dezembro. Por essa projeção, o pior resultado viria em setembro, a um mês das eleições presidenciais, quando bateria em 6,82%. "Hoje, qualquer descuido com a inflação poderia ser fatal ao governo", resumiu o economista Claudio Porto, presidente da Macroplan consultoria.
Sem saída
Governo segurou preços administrados, interveio no mercado de câmbio e elevou juros para conter a inflação. Não conseguiu
Evolução da Selic (em % ao ano)
Mar/13 7,25
Abr/13 7,50
Mai/13 8,00
Jul/13 8,50
Ago/13 9,00
Out/13 9,50
Nov/13 10,0
Jan/14 10,50
Fev/14 10,75
Abr/14 11,00
Mai/14 11,00
Jul/14 11,00
Carestia resistente (em %, no acumulado de 12 meses)
Jan/14 5,59
Fev/14 5,68
Mar/14 6,15
Abr/14 6,28
Mai/14 6,38
Jun/14 6,52
Jul/14 6,70
Ago/14 6,77
Set/14 6,82
Out/14 6,75
Nov/14 6,70
Dez/14* 6,42
(*) Previsão
Fontes: Banco Central, IBGE e Gradual Investimentos