Na década de 1980, era muito difícil fazer planos de investimentos. A possibilidade do fim da inflação era sempre o cenário menos provável. As perspectivas mais otimistas eram de uma convivência civilizada com ela, m mecanismo de adaptação.
Sempre que se imaginava a queda dos índices de preços para um dígito, o caminho mais provável seria o de algum choque heterodoxo. Isso era popular. Nós tentamos várias vezes. O Chile teve sucesso com uma alternativa ortodoxa durante a ditadura e se deu bem. Mas, exatamente por isso, havia uma resistência ideológica a um plano assim.
Ter superado todas essas dificuldades fazem do Real um marco na história econômica do Brasil. Antes, havia distorção na alocação de recursos. A aplicação financeira era a maior fonte de recursos. O rentismo era a fonte de recursos de supermercados e até indústrias. Nos departamentos financeiros estavam os profissionais mais valorizados.
O Real só se consolidou no ano de 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal ( LRF) Ela criou condições de sustentabilidade . Ainda é uma obra incompleta. Não temos taxas de juros e de inflação compatíveis com o ambiente da América Latina.
Falta um conjunto de reformas, a velha agenda. A economia é muito indexada e desta se indexando mais. O sistema tributário é dos mais complexos e mais regressivos. Precisamos da e abertura econômica, de expansão de investimentos, sobretudo públicos, com a contenção de custeio a taxas inferiores à da arrecadação.