20 anos de Real - Marco na história

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05/07/2014 | Correio Braziliense
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Claudio Porto, presidente da Macroplan
Na década de 1980, era muito difícil fazer planos de investimentos. A possibilidade do fim da inflação era sempre o cenário menos provável. As perspectivas mais otimistas eram de uma convivência civilizada com ela, m mecanismo de adaptação.


Sempre  que se imaginava a queda dos índices de preços para um dígito, o caminho mais provável  seria o de algum choque heterodoxo. Isso era popular. Nós tentamos várias vezes. O Chile teve sucesso com uma alternativa ortodoxa durante a ditadura e se deu bem. Mas, exatamente por isso, havia uma resistência ideológica a um plano assim.


Ter superado todas essas dificuldades fazem do Real um marco na história econômica do Brasil. Antes, havia distorção na alocação de recursos. A aplicação financeira era a maior fonte de recursos. O rentismo era a fonte de recursos de supermercados e até indústrias. Nos departamentos  financeiros estavam os profissionais mais valorizados.


O Real só se consolidou no ano de 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal ( LRF) Ela criou condições  de sustentabilidade . Ainda é uma obra incompleta. Não temos taxas de juros e de inflação compatíveis  com o ambiente da América Latina.


Falta um conjunto de reformas, a velha agenda. A economia é muito indexada e desta se indexando mais. O sistema tributário é dos mais complexos e mais regressivos. Precisamos da e abertura econômica, de expansão de investimentos, sobretudo públicos, com a contenção de custeio a taxas inferiores à da arrecadação.