Tem receita, sim! Mas não é mudar por decreto. Os grandes terremotos do progresso são provocados por pessoas destemidas, competentes e teimosas. Graças a estes líderes criam-se modelos que, progressivamente, vão sendo imitados por quase todos
O Positivo convidou para uma mesa-redonda, em 2013, três ex-secretárias de Educação, Dorinha Seabra (TO), Maria helena G. castro (SP) e Raquel Teixeira (GO); uma secretária atual , Claudia Costin (RJ); e um ex-prefeito, Paulo MacDonald (Foz do Iguaçu).
Escolhemos os nomes pelas suas façanhas. Mas não nos dávamos conta de que tocavam por partituras bastante semelhantes. Esse foi o primeiro achado. Claro, há iniciativas que só aparecem em um município. Mas, na maioria, coincidem em suas estratégias. Daí falarmos em receitas.
Embora eles próprios não possam dizê-lo, liderança é essencial. São secretários que lutaram, que se impuseram e venceram, diante das forças da inércia e dos interesses de grupos. Arrostaram o uso político da máquina educativa. Estavam diuturnamente presentes, visitavam centenas de escolas
Começaram perguntando: aonde quero chegar? E o planejamento da secretaria refletia a trajetória desejada. Essa clareza e o compartilhamento de propósitos são a marca de suas gestões. Isso é válido para as grandes metas e para os currículos - que devem ser explícitos e inteligíveis
Como tem sido dito, quem não mede não administra. Afinal de contas, se o secretário não sabe o que está acontecendo, como saber se vai bem a sua gestão? A boa notícia é que a avaliação se tornou uma ferramenta central e imprescindível.
Eles souberam valorizar os diretores e seu papel. Houve intervenções para depurar o processo de sua escolha, por exemplo, com a introdução de provas de candidatos. Em alguns casos, tiraram a carga administrativa dos ombros dos diretores, para que pudessem se dedicar ao ensino. Mas de que adiantam bons diretores se não tiverem autonomia para gerir a escola? Dar-lhes mais liberdade de manobra foi uma política implementada em várias secretarias.
A formação dos professores foi um tema recorrente. Sabemos da ineficácia de cursos teóricos e doutrinários, daí a importância de que passassem a ser diretamente relevantes no dia a dia dos mestres.
Para alguns secretários, os prêmios para escolas que atingissem metas de desempenho foram ferramentas vitais para o êxito. O tema é controvertido, mas, se nas escolas premiadas os alunos passaram a saber mais, não será esse o critério mais convincente ?
Vários se preocuparam com os métodos de ensino. O uso de materiais estruturados e a adoção da alfabetização fônica exemplificam as linhas adotadas.
A convergência dos depoimentos sugere que já existe uma receita para o sucesso da educação. Nem todos deram ênfase exatamente às mesmas políticas. Mas houve bastante coincidência e não se observaram orientações conflitantes.
É instrutivo comparar esses resultados com uma pesquisa da Macroplan que esmiúça os 100 maiores municípios brasileiros. Nela foram selecionados e examinados os cinco municípios de melhores resultados na educação e outros cujos avanços nessa área foram mais expressivos.
Em seguida , foi feito um levantamento para identificar suas políticas educativas, ou seja, que medidas poderiam explicar esse desempenho superior. Surpresa! São tão parecidas com as citadas pelos secretários que não vale a pena repetir. Apareceram também iniciativas que não foram mencionadas: ações de saúde, aumento da segurança na escola, participação do terceiro setor e aumento da presença da família. Mas nada que colidisse com a "receita" dos secretários.
Foram-se os dias em que melhorar a educação era um mistério insondável. Não sabíamos nem o que fazer, nem se havia dado certo. Hoje, com a avaliação e com o compartilhamento do que se vai aprendendo, a receita se torna conhecida.
O que falta é gente com vontade de enfrentar as assombrações e empreender a marcha necessária, como fizeram essas pessoas. Não tiveram ditadura para dar-lhes força, não tinham padrinhos poderosos e não são super-homens (ou supermulheres). Simplesmente fizeram.