Debate pré-eleição ganha reforços

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05/12/2013 | Jornal do Commercio (PE)
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LANÇAMENTO Gimabiagi e Porto estarão hoje à noite na Livraria Cultura do Paço Alfândega
PUBLICAÇÃO coletânea  organizada pelos economistas Fábio Giambiagi e Claudio Porto propõe políticas públicas para o crescimento "próspero competitivo" do Brasil.


 


O presidente eleito em 2014 terá que priorizar questões econômicas para ver o Brasil reencontrar o caminho do desenvolvimento sustentável nos próximos anos. A ser lançado hoje à noite na Livraria Cultura do Paço Alfândega, o livro Propostas para o Governo 2015 -2018 - Agenda para um País Próspero e Competitivo traz reflexões de 40 especialistas sugerindo políticas públicas. Organizado pelos economistas Fábio Giambiagi e Claudio Porto, a coletânea quer ajudar a pautar e influenciar as discussões pré eleições.


"Fazer mais do mesmo não vai levar o Brasil a ser próspero e competitivo. A nação enfrentou entraves importantes, com a redemocratização, a estabilidade econômica e a inclusão social, mas tem o desafio agora de avançar em questões como produtividade e competitividade. Se não for assim, o Brasil corre o risco de cair na armadilha da renda média, criando uma acomodação, porque parte da população conseguiu alavancar a renda, mas sem se preocupar em entrar para o time dos países desenvolvidos", observa o economista Claudio Porto, da consultoria Macroplan.


O livro apresenta 24 análises de especialistas em economia e gestão pública, misturando veteranos e jovens pensadores. "Nos últimos 20 anos estudamos e escrevemos sobre economia brasileira e recebemos  constantes demandas para atualizar nossas reflexões em um novo livro, que tenha uma convergência entre problemas antigos ( gasto público, baixa poupança doméstica e captação de investimentos) com novos desafios, como meio ambiente e produtividade", explica Giambiagi. 


A publicação aponta cinco grandes desafios para o País. O primeiro é preservar a estabilidade econômica ameaçada, aumentando a produtividade do trabalho, ampliando a abertura da economia e expandindo a taxa de investimento. "No Brasil investimos 18% do PIB, enquanto que no México a taxa é de 25%", compara Porto. O segundo ponto é o capital humano. A produtividade do trabalhador brasileiro é equivalente a um quinto da do americano. "É preciso aumentar a escolaridade das próximas gerações e qualificar a população economicamente ativa que já saiu da escola", diz Giambiagi. No Brasil apenas 7% dos estudantes cursam  ensino médio e profissional ao mesmo tempo. No Japão este índice é de 55% e na Alemanha, 52%.


O terceiro desafio é a infraestrutura que trava o País. A sugestão é acelerar as concessões e serviços para a iniciativa privada, que começou em ritmo lento no governo Dilma. Os recursos naturais aparecem como quarto item, com a necessidade de reduzir os passivos ambientais (Amazônia, saneamento e transporte coletivo). O quinto desafio está no âmbito das instituições, com a necessidade de melhorar a gestão pública e tornar os gastos eficientes. O brasileiro contribui com muito imposto e o governo devolve pouco em serviços públicos.



Eduardo e Aécio assinam contracapa


Os presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves (juntos com o ex-ministro Cristóvam Buarque) assinam a contracapa do livro "Propostas para o Governo 2015-2018". A idéia de trazer os pré-candidatos ao debate é uma tentativa de fazer com que eles adotem em seus programas de governo a agenda nacional proposta pela publicação.


"Nosso protagonismo foi no sentido de colocar os conhecimentos desses especialistas a serviço do País. Cabe aos políticos a implementação dessas sugestões. Convidar os presidenciáveis é uma espécie de provocação, ou melhor dizendo, estimulação", destaca o economista paraibano Claudio Porto. Também organizador da coletânea, Fábio Giambiagi diz que em seus trabalhos costuma fazer uma combinação de jornalista, personalidade e políticos influentes para escrever préfácio, orelha e contracapa.


Distribuido em 24 análises o livro traz artigos exclusivos de especialistas convidados pelos organizadores da coletânea a escrever sobre os temas. A análise do Nordeste ficou a cargo do economista pernambucano Alexandre Rands. Com o tema "Política regional nos próximos anos", Rands escreveu sobre o que determina as desigualdades regionais. Ele acredita que a defasagem de capital humano é peça-chave nesse processo de desigualdade.


O economista destaca que em 2012 o Nordeste recebeu R$ 147 bilhões em transferencias constitucionais e questiona a eficiência na aplicação desses recursos. "O gasto do governo por aluno na região é equivalente a 50% do que é aplicado em São Paulo, por exemplo. Seriam necessários R$ 11 bilhões para colocar os estudantes nordestinos no mesmo patamar", sugere. Rands defende o deslocamento de parte das transferências constitucionais para a educação e o uso da Sudene como consultora na qualificação da gestão dos municípios.


- Serviço: Lançamento do livro "Propostas para o Governo 2015 ? 2018 - Agenda para um País Próspero e Competitivo". Fábio Giambiagi e Claudio Porto (Org.) Editora Elsevier - 396 páginas - R$89,90 . Livraria Cultura do Paço Alfândega., hoje, às 18:30