Para um dos maiores especialistas em finanças públicas do país, o próximo presidente deverá ter coragem para recolocar o Brasil no rumo do crescimento
Um dos maiores especialistas na área de finanças públicas e previdência social, Fábio Giambiagi vai lançar em outubro o livro "Propostas para 2015-2018 - Agenda para um país próspero e competitivo". Editado em parceria com o economista Claudio Porto, o livro é uma coletânea de vários artigos de especialistas sobre os desafio do Brasil nos próximos anos. "O que vem pela frente não é nada fácil, e por isso, quem for eleito em 2014 precisará ter coragem para tomar medidas duras", diz Giambiagi.
Que qualidades o próximo presidente do Brasil deverá ter? Ou que qualidade a atual presidente deverá desenvolver se for reeleita?
Os políticos hoje preferem dizer o que as pessoas querem ouvir. Mas a agenda do próximo candidato será mais complexa do que a dos últimos dez anos. Haverá situações em que a lógica política entrará em conflito com a econômica. Será preciso adotar medidas impopulares. Por isso, quem vier a ser escolhido em 2014 vai precisar de habilidade, coragem e força para ser líder.
Que medidas impopulares o senhor sugere que devem ser adotadas?
A política do aumento do salário mínimo precisa ser revista. No passado ela foi ótima do ponto de vista econômico e social. No futuro, não será tão boa. O efeito sobre as contas públicas e as empresas é alto demais.
Quais são os cenários para a economia brasileira?
Se em 2014 tivermos bom crescimento econômico, 2015 será muito difícil.Se 2013 e 2014 forem fracos, em 2015 haverá mais espaço para a economia crescer.
Por que ?
O Brasil cresceu muito na última década, mas a demanda cresceu mais que a oferta. Os investimentos não acompanharam. Fora isso, há uma redução do crescimento d força de trabalho. O resultado é que o Brasil tem hoje menos capacidade de crescer. Por isso, se o pais tiver crescimento forte em 2014, vai esgotar os recursos para crescer, de forma sustentável, nos anos seguintes.
Quais são os principais riscos?
Os riscos são os que normalmente surgem em uma economia com restrições de oferta. Ou seja, o aumento da inflação e do déficit em conta-corrente devido ao aumento das importações. Também há o risco fiscal. O baixo crescimento e a falta de disposição do governo em cortar gastos podem reduzir o superávit primário, aumentando a dívida pública.
Como aumentar o potencial de crescimento da economia brasileira?
As soluções são conhecidas. O difícil é executá-las. É preciso investir em infraestrutura, criar incentivos para aumentar a poupança doméstica e melhorar a educação. Em resumo, temos um desafio urgente que é aumentar a produtividade e os investimentos.
O mundo vai nos ajudar como na década passada?
Se o mundo nos ajudar muito, teremos um problema. Na década passada, o aumento das exportações e da demanda interna foi atendido porque havia ociosidade de mão de obra. O desemprego em 2003 era de 12%. Hoje está em 5,5%. Por isso, se não aumentarmos a produtividade, o efeito de um novo boom de exportações será inflação. Para o mundo nos ajudar, o Brasil precisa se ajudar antes.