Economistas defendem que região precisa se preparar para o futuro, acompanhando a dinâmica do País em áreas estratégicas
Nada de acomodação. Foi o recado dos economistas, durante o Fórum Exame Nordeste, realizado ontem pela revista Exame, no Mar Hotel, em Recife.O momento é menos de euforia e mais de preparação para o futuro. A economia regional cresceu acima da média nacional na última década, indicadores sociais melhoraram e a região virou rota de grandes empreendimentos. Mas não pode parar por aí. É preciso apostar no avanço da competitividade para que não haja um novo distanciamento da trajetória nacional. Referência nas discussões sobre o Nordeste, a economista Tânia Bacelar participou do primeiro debate do Fórum provocando grandes executivos sobre a ( ainda persistente) tendência de concentração de investimentos e políticas públicas no eixo Sul-Sudeste. "É verdade que conseguimos captar a Fiat, por conta de uma grande costura de incentivos fiscais federais, mas o setor automotivo continua concentrado no Sul e Sudeste. Só contabilizamos a Ford (na Bahia) e agora a Fiat", disse diante do diretor de Assuntos Institucionais da montadora italiana, Antonio Mello, que foi obrigado a concordar com a professora e corroborar a inforamção com dados do setor. O executivo destacou que existem 26 montadoras no País, com 53 fábricas em operação em nove Estados. No Nordeste, apenas duas.
Tânia também lançou uma preocupação com o futuro. "Não temos dúvidas de que hoje estamos bem melhor do que antes, mas precisamos acompanhar a dinâmica econômica do País. Setores que terão importância estratégica no próximo século também estão concentrados no Sul-Sudeste. É o caso do petróleo. As reservas do pré-sal estão no Sudeste e quanto a isso não dá para brigar com a natureza. Mas precisamos brigar para participar de setores como o petroquímico e o eletromecânico que caminham na esteira do petróleo. Colocamos os pés nessa atividade com a refinaria (Abreu e Lima) e a PetroquímicaSuape, mas não temos que nos contentar apenas com isso", alerta.
O economista Claudio Porto da consultoria Macroplan também destacou a importância de o Nordeste dar um passo adiante. "Depois de apresentar uma expansão do PIB superior ao do crescimento do produto interno bruto nacional, a região precisa acelerar políticas e estratégias focadas na competitividade". Estudo realizado pela consultoria com base nos dados dos diferenciais de crescimento do PIB do Nordeste e do Brasil dos anos recentes, indica que a região chegaria a apenas 16,3% do PIB brasileiro em 2050 , contra 13, 5% atualmente.
Para ter um ciclo de desenvolvimento nos próximos anos, a região precisa focar mais na competitividade e menos em políticas assistencialistas, revela o estudo. A região que concentra atualmente 53 milhões de pessoas (ou 28% da população do país), tem baixos indicadores de educação (as piores notas do IDEB nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental - 2011). O baixo rendimento compromete a competitividade dos Estados nordestinos.
Para os economistas da Macroplan as melhores oportunidades estão no adensamento de cadeias produtivas e na expansão do mercado interno, especialmente construção civil e redes de serviços de saúde, além de educação e comércio e infraestrutura.