Depois de apresentar uma expansão do PIB superior ao crescimento do produto interno bruto brasileiro na última década, a região Nordeste mostra que precisa acelerar políticas e estratégias focadas na competitividade para não se distanciar novamente da trajetória nacional, como projeta um estudo de cenários feito pelos economistas Claudio Porto e Sérgio Buarque, da consultoria Macroplan.
Pelos dados dos diferenciais de crescimento do PIB do Nordeste e do Brasil dos anos recentes, a região chegaria a apenas 16,3% do PIB brasileiro em 2050 , contra 13, 5% atualmente. O estudo será apresentado durante o seminário Fórum Nordeste, nesta terça-feira ( 13/08), em Recife.
Para ter um ciclo de desenvolvimento nos próximos anos a região precisa focar mais na competitividade e menos em políticas assistencialistas, revela o estudo. A região que concentra atualmente 53 milhões de pessoas (ou 28% da população do país), tem baixos indicadores de educação ( as piores notas do IDEB nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental - 2011 foram registrados em estados da região) comprometendo a competitividade dos estados nordestinos.
"O salto de crescimento da região- que ainda se mantém como a mais pobre do país e a mais desigual, apesar das melhorias expressivas nos indicadores na última década - não é uma miragem distante e pode ser atingido desde que o foco predominante seja a competitividade para um salto de prosperidade e que se estabeleça uma postura proativa dos atores locais - governos, empresários e 3º setor - para superar as dificuldades e aproveitar as melhores oportunidades de negócios e investimentos", afirma Claudio Porto.
Para os economistas da Macroplan, as estratégias e políticas de desenvolvimento ou planos de negócios empresariais devem ter necessariamente como foco a rede das 100 maiores cidades da região que abrigam 45% da população do Nordeste e concentram as principais oportunidades de negócios da região.
Entre as melhores oportunidades, o estudo da Macroplan aponta os negócios associados ao adensamento de cadeias produtivas e à expansão do mercado interno, especialmente construção civil e redes de serviços de saúde, educação e comércio e em infraestrutura na área de transportes, logística, energia e telecomunicações.