Ajustar o rumo

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02/07/2013 | O Globo
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Adriana Fontes


O Estado do Rio de Janeiro, após ter um desempenho econômico superior ao da economia brasileira entre 2003 e 2006, voltou a perder participação no PIB total e do Sudeste. Estudo feito no âmbito do Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro, uma parceria entre o instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e Sebrae/RJ, mostra que esse comportamento esteve associado ao desempenho da indústria extrativa mineral, setor que influenciou a retomada econômica do Rio de Janeiro, iniciada no fim dos anos 1990, e causa a sua desaceleração atual.


O Rio de Janeiro reduziu menos a desigualdade de renda na última década, tornando-se o mais desigual entre os estados do Sudeste, Sul, Centro-Oeste em 2011. A renda domiciliar per capita, por sua vez, cresceu menos do que a média brasileira e do Sudeste. Esses dois movimentos levaram a avanços menores na redução da pobreza do que a maioria dos estados brasileiros.


Parte dos desafios está relacionada ao mercado de trabalho. A baixa taxa de ocupação é uma característica marcante no Estado. Este traço se manteve, mesmo com o aumento da formalização dos postos de trabalho que ocorreu em paralelo à redução do emprego informal e do trabalho por conta própria.


O quadro das micro e pequenas empresas não é mais satisfatório. Embora a participação delas no número total de estabelecimentos no Rio seja parecida ao do resto do Brasil e do Sudeste (98%), as micro e pequenas empresas fluminenses, absorvem, em termos relativos, menos trabalhadores formais e com salários médios mais baixos. Isso se deve à participação mais alta do comércio e serviços de baixa qualidade. Em resumo, o Rio de Janeiro avançou na última década, porém menos do que o Sudeste e do que a média brasileira, ficando próximo dos estados do Nordeste em alguns indicadores.


Há características estruturais do nosso Estado que o tornam mais complexo e desigual. Uma delas é o crescimento economico  dependente de uma lógica  industrial baseada  em setores , como o de óleo e gás, intensivos em capital e com menor desdobramento junto às micro e pequenas empresas. Outra característica está relacionada à distribuição espacial. O Rio de Janeiro é o quarto menor território e abriga a terceira maior população do Brasil. É também o mais metropolitano dos estados.


Para diminuir as enormes desigualdades no Rio, é necessária uma atuação efetiva, especialmente do setor público, para geração de negócios que permitam diversificação da estrutura produtiva; a profissionalização das micro e pequenas empresas; formação e qualificação de mão de obra; mobilidade urbana na metrópole; e qualidade nos serviços públicos.


Merece debate mais amplo para ajustar o rumo das ações hoje em curso.


Adriana Fontes é pequisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e consultora da Macroplan


Valéria Pero é professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.