Setor de distribuição se concentra mais com a compra da Texaco

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15/08/2008 | Folha de São Paulo
A compra da Texaco pelo grupo Ultra reforça a concentração do setor de distribuição de combustíveis e marca a tendência de saída das multinacionais do setor no país, cujas margens são menores do que outras atividades da indústria do petróleo, dizem especialistas. Com o negócio -antecipado pela Folha em 10 de abril-, a Ipiranga (distribuidora do Ultra) passará de 14,09% de participação para 22,80%, em segundo no ranking, atrás da BR.
"É um movimento de concentração. Trata-se de um "player" grande comprando outro. É diferente da Esso, adquirida pela Cosan [do ramo sucroalcooleiro], que não atuava nesse setor", diz Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura).
O presidente da Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes), Paulo Miranda, afirma que há uma "preocupação natural com a maior concentração". Ressalta, porém, que o negócio pode ser bom para o revendedor da Texaco, pois a companhia vinha "enxugando a sua rede" e a Ipiranga é "uma empresa com uma boa relação" com seus postos.
Frederico Araújo, consultor da Macroplan, diz que o aumento da concentração não será negativo, pois o setor requer empresas de grande porte e com disposição de investir.
Para Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes), os efeitos da menor concorrência não serão negativos para o consumidor.
A transação só se concretizou porque desde 2007 o setor vive "processo de reorganização", com a redução de fraudes e menores níveis de sonegação, diz.
Só uma grande multinacional petrolífera se mantém no ramo de distribuição: a Shell, terceira maior distribuidora do país, com 11,36% do mercado. BP e Repsol atuam no país, mas com operações pequenas.
Para Pires, a "debandada" das estrangeiras têm dois motivos: as margens restritas na distribuição e o interesse em focarem as atividades em exploração e produção, com rentabilidade maior.