Planejamento estratégico a longo prazo ainda é raro

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13/04/2012 | Diário do Comércio (MG)
São Paulo - Pesquisa feita pela consultoria Macroplan com executivos de 80 empresas dos setores de celulose, varejo, químico, financeiro e público mostrou que 50% dos diretores e executivos entrevistados não fazem planejamentos estratégicos de negócios de longo prazo (sete anos ou mais). Entre as maiores preocupações dos entrevistados com o futuro estão a regulação (62,1%), as mudanças tecnológicas (51,5%), o ambiente (37,9%) e o comportamento do consumidor (34,8%).

Segundo Leonardo Guimarães, mestre em direito empresarial e sócio do escritório Guimarães & Vieira de Mello Advogados, a preocupação com regulação sugere falta de segurança jurídica no país. "Muitos empresários e executivos ainda temem a interferência do Estado em seu setor de atuação, principalmente quando se trata de investimentos em longo prazo, como os de infraestrutura, insumos básicos e exportação. O resultado do levantamento mostra que o empresariado brasileiro não está preparado para alavancar suas companhias em médio ou longo prazo. A estruturação de uma corporação com um foco maior pode levar a empresa a outro momento econômico, como, por exemplo, a aquisição de concorrentes ou fusão com organizações afins", avalia.


A preocupação com a tecnologia, segundo fator de risco votado pelas empresas, ataca mais os segmentos que lidam diretamente com o consumidor final como comunicação, varejo e financeiro devido ao surgimento de novos métodos capazes de alterar fortemente as dinâmicas setoriais. "Algumas empresas ainda temem as inovações tecnológicas porque não conseguem lidar com a organização de processos e a gestão da informação interna. O maior erro dos empresários e executivos é acreditar que investir em soluções e processos tecnológicos dá um ponto final à necessidade de modernização. As soluções são criadas com base em um retrato do momento que a empresa vive. Sempre que houver ampliação ou alteração da realidade da organização existe necessidade de atualização dosoftware ou da solução contratada. Investir em tecnologia é saudável para empresa e garante o sucesso da companhia mesmo diante de novas realidades do setor ou regulação do Estado. Por isso, sempre trabalhamos com nossos clientes a necessidade de investimentos constantes em inovação, automação e atualização para se manterem competitivos no mercado", argumenta o diretor regional da Totvs, Arnaldo Xavier.


O comportamento do consumidor é outro fator que amedronta empresários devido às mudanças ocorridas nos últimos oito anos, como o crescimento da classe C e o envelhecimento da população. Mesmo com tantos temores, mais de 90% dos entrevistados afirmaram que  as empresas que exploram o futuro fazem isso, em sua maioria, sem apoio externo.