O consumidor brasileiro está se tornando mais velho, mais educado e com uma renda média maior. Além dessas mudanças, surgem nichos no mercado que estão transformando a relação entre clientes e empresas.
Já é possível observar que os consumidores estão mais conscientes e ambientalmente corretos; os jovens têm cada vez mais poder de decisão dentro de casa; há consumidores que buscam praticidade e qualidade na hora das compras; aqueles que pagam para ter produtos saudáveis e diferenciados; e quem tem muito dinheiro e querem produtos exclusivos.
Uma pesquisa da
Macroplan apontou as tendências do consumo no Brasil nos próximos 20 anos e destacou 10 novos perfis de consumo. Para as empresas, nada mais lucrativo do que ficar atento às mudanças nos hábitos de compra de seus clientes.
"O comportamento do consumidor está mudando. E isso vem de duas dimensões importantes que devem ser observadas: primeiro a que nicho esse cliente pertence. Isso gera motivação de consumo diferente. E como estão os fatores externos como aumento da renda, classe social", avalia
Glaucio Neves, diretor da
Macroplan e coordenador da pesquisa.
Perdeu o freguês
A professora de Educação Física Amanda Loureiro é um bom exemplo desse novo perfil do consumidor. Além de não dispensar a academia, ela gosta de se alimentar com produtos saudáveis.
"Às terças, há uma feira de produtos orgânicos em Laranjeiras e gosto de comprar as verduras por lá. São produtos sem agrotóxico e um pouco mais caros, mas quando vou à feira, eu compro. Nos supermercados, no entanto, é bastante difícil de encontrar. Se fosse mais fácil, com certeza eu compraria".
Um outro jeito de comprar
Consumo da classe C. No Brasil, entre 2003 e 2009, 29 milhões de pessoas ingressaram na classe C. Esse consumidor age de maneira diferente daquele que sempre consumiu, pois o orçamento não permite muitos erros e desperdícios.
Consumo prático. Cerca de 12% dos domicílios brasileiros são habitados por uma única pessoa. Porções individuais são cada vez mais adequadas e produtos que poupam tempo e trabalho são demandados também em domicílios com casais em que ambos participam do mercado de trabalho.
Consumo +60. Há, no Brasil, quase 20 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 2030, esse número terá dobrado. Haverá impacto nos gastos com saúde, além de gastos relacionados ao aumento longevidade e a melhora da qualidade de vida.
Consumo exigente. Selos de certificação e de garantia dos produtos já são requisitos indispensáveis para responder às crescentes exigências de qualidade presente nos mercados doméstico e internacional. Nos próximos anos, terá valor crescente a rastreabilidade de produtos e processos produtivos.
Consumo responsável. O consumidor brasileiro está mais preocupado com a aquisição e o uso de produtos e serviços sustentáveis. Para se ter uma ideia, o número de empresas certificadas pela ISO 14.001 - que valida um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) efetivo - passou de 18 em 2002 para 2.024, em 2010.
Consumo saudável. O aumento da preocupação em manter a vida saudável tende a ser cada vez maior. Há uma parcela crescente da população disposta a investir parte de seus recursos para viver mais e melhor. A crescente busca pela melhoria da qualidade de vida pode ser percebida pelo aumento do consumo de produtos orgânicos e serviços como academias.
Consumo on-line: Estima-se que o comércio eletrônico de bens de consumo no Brasil tenha atingido R$ 20 bilhões em 2011. Esse grupo busca sites que oferecem serviços e produtos de qualidade, com entrega no prazo e bons preços - isso pode ser sentido pelo aumento nos sites de compras coletivas.
Consumo precoce. As mudanças ocorridas na dinâmica familiar nas últimas décadas e o impacto da tecnologia sobre o mundo infanto juvenil têm contribuído para a formação de crianças e adolescentes com hábitos de consumo cada vez mais precoces. Os produtos e serviços para esse público devem levar em conta que 80% das crianças brasileiras influenciam as compras de produtos.
Consumo em nichos. Portadores de deficiência, minorias étnicas, sexuais e religiosas são o novo mercado de nichos, voltado para atender demandas específicas destes segmentos. Nos EUA, em 2009, o poder de compra da população homossexual era de 610 bilhões de dólares e pode chegar a 835 bilhões de dólares em 2011. No Brasil, dentre os que se declaram homossexuais, 39% estão na classe AB e 30% na classe C. Em média, gastam 30% a mais do que os heterossexuais, e são uma grande oportunidade de negócios às empresas.
Consumo exclusivo. Entre 2003 e 2009, o número de pessoas nas classes A e B cresceu cerca de 40%, o que representa 6,6 milhões de pessoas. Somente no primeiro trimestre de 2011 foram emplacados no Brasil 35.430 carros de luxo, 87,3% a mais em relação à igual período de 2010, quando foram comercializados 18.912 unidades. Outros exemplos podem ser observados em relação a produtos de luxo mais simples, como por exemplo, o café. Foi constatada uma taxa de crescimento de 15% a 20% de cafés finos e diferenciados.
Fonte:
Macroplan Prospectiva, Estratégia & Gestão