Em oito anos, 32 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor

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15/03/2012 | Jornal Corporativo
Entre 2003 e 2010, 32 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado consumidor brasileiro e até 2016 o poder de compra da nova classe média do país poderá ultrapassar a barreira de R$ 1,4 trilhão. Com padrões de consumo particulares, um enorme contingente populacional, antes confinado na pobreza com consumo restrito à sobrevivência, agora a população se vê capaz de realizar decisões de compra para além das suas necessidades básicas.

Contribui também para as alterações no padrão de consumo da população, a expansão do crédito, um dos fenômenos de maior relevância na economia brasileira recente. A relação entre o estoque total de crédito e o PIB passou de 24%, em 2002, para mais de 45%, em 2011. A expansão se deve, em grande medida, ao crescimento do crédito destinado a pessoas físicas, impulsionando sobremaneira o consumo.

O estudo sobre tendências de consumo realizado pela empresa de consultoria Macroplan e divulgado esta semana mostra que a Classe C puxará o consumo dos próximos anos no país, e também divide as perspectivas em dez setores de consumos que apresentam maior tendência de crescimento nos próximos 20 anos.

- Consumo prático

Segundo a pesquisa, cerca de 12% dos domicílios brasileiros são habitados por uma única pessoa, o que representa cerca de 7 milhões de pessoas morando sozinhas no Brasil. O número era de cerca de 4 milhões em 2000. Porções individuais e elevada praticidade são cada vez mais adequadas a essa tendência. Produtos e serviços que poupem tempo e trabalho são demandados também em domicílios com casais em que ambos participam do mercado de trabalho e precisam conciliar as atividades profissionais com os cuidados domésticos.

- Consumo +60

Destaca-se neste grupo a população com mais de 60 anos de idade. Estima-se que em 2030, o atual número de quase 20 milhões de idosos deva dobrar e chegar perto dos 40 milhões. Com a expectativa de vida cada vez maior, boa parte do consumo virá dessa crescente parcela da população, com impactos expressivos nos gastos com saúde (planos e medicamentos), mas também em outros tipos de gastos relacionados ao aumento de longevidade e a melhora da qualidade de vida deste novo público.

- Consumo exigente

A pesquisa da Macroplan mostrou que a população está mais consciente e exigente de seus direitos. Selos de certificação e de garantia dos produtos já são requisitos indispensáveis para responder às crescentes exigências de qualidade presente nos mercados doméstico e internacional. Nos próximos anos, terá valor crescente a rastreabilidade de produtos e processos produtivos, permitindo não somente adequá-los às normas de qualidade e aos requisitos de aparência, funcionalidade e facilidade de manutenção, como garantir também o acesso à informação em tempo real.

- Consumo responsável

Neste grupo, a Macroplan valorizou o consumidor brasileiro, mostrando que ele está mais preocupado com a aquisição e o uso de produtos e serviços sustentáveis. Além disso, diversas leis de regulação ambiental têm sido criadas e estão colaborando para maior conscientização da sociedade. O número de empresas certificadas pela ISO 14.001 (norma internacionalmente aceita que define os requisitos para estabelecer e operar um Sistema de Gestão Ambiental) passou de 18 em 2002 para 2.024 em 2010.

- Consumo saudável

Setor também em crescimento, segundo a pesquisa. O aumento da preocupação com  uma vida saudável tende a ser cada vez maior nos próximos anos. A busca pela melhoria da qualidade de vida pode ser percebida pelo aumento do consumo de serviços e produtos orgânicos. Há uma parcela crescente da população disposta a investir parte de seus recursos para viver mais e melhor. Isso pode ser eviden¬ciado pelo crescente número de SPAs ou de academias. O Brasil conta hoje com mais de 18 mil academias ativas, segundo lugar no ranking mundial.

- Consumo online

Esta é o tipo de consumo que cresce à vista de todos. O comércio eletrônico de bens de consumo no Brasil em 2010 atingiu faturamento de R$ 14,8 bilhões, crescimento de 40% em relação a 2009, e estima-se que tenha chegado a US$ 20 bilhões em 2011. Por trás deste forte incremento do e¬commerce encontra-se o aumento do número de consumidores. Em 2010, 23 milhões de consumidores já participavam do comércio eletrônico. O recente fenômeno das compras coletivas também ajuda a ilustrar bem esta tendência. Somente no mês de setembro do ano passado, aproximadamente 5,6 milhões de pessoas visitaram, pelo menos uma vez, estes sites.

- Consumo precoce

As mudanças ocorridas nas últimas décadas e o impacto da tecnologia sobre o mundo infanto-juvenil têm contribuído para a formação de crianças e adolescentes com hábitos de consumo cada vez mais precoces. A televisão, o computador e o  celular consistem em poderosos canais de comunicação que disseminam novos comportamentos e estimulam o consumo neste público. O resultado disso são crianças e adolecentes com mais informação e poder de decisão. Pesquisas mostram que 80% das crianças brasileiras influenciam nas compras.

- Consumo em nichos

O estudo mostrou que portadores de deficiência, minorias étnicas, sexuais e religiosas são o novo mercado de nichos, voltado a estes segmentos. Os portadores de deficiência já somam 24,5 milhões, correspondendo a cerca de 14,5% dos brasileireiros. O mercado religioso é um grupo que cresce em torno de 30% ao ano e gera receitas superiores a R$ 3 bilhões, movimentando mais de 900 empresas. Dentre os que se declaram homossexuais no Brasil, 39% estão na classe A e B, e gastam 30% a mais do que os heterossexuais.

- Consumo exclusivo

Entre 2003 e 2009, o número de pessoas nas classes A e B cresceu cerca de 40%, o que representa 6,6 milhões de pessoas. As classes A e B foram as que mais cresceram em termos relativos no período recente e a tendência é de maior crescimento nos próximos anos gerando espaço para o aumento do chamado consumo de luxo. Somente no primeiro trimestre de 2011 foram emplacados no Brasil 35.430 carros de luxo, 87,3% a mais em relação à igual período de 2010, quando foram comercializados 18.912 unidade.