26/09/2011
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O Globo
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Como estará a economia brasileira no bicentenário da independência (2022)? Os economistas Fabio Giambiagi e Claudio Porto, autores de um livro sobre esse tema, projetam um quadro em que a taxa de juros real terá recuado pela metade, caindo para 3%, a inflação deverá girar em torno de 3%, a proporção de pobres diminuirá para 5% da população, e a dívida líquida do setor público...
...não passará de 10% do Produto Interno Bruto, diante dos atuais 40% do PIB. Isso porque, no lugar de um déficit de 3%, o setor público se transformaria em superavitário, beneficiando-se da redução das despesas com juros e da manutenção de um saldo (primário) nas demais contas.
É claro que essas previsões não são um exercício de clarividência, mas uma tentativa de enxergar o futuro a partir da premissa de que o país enfrentará seus obstáculos, em vez de ficar bancando o avestruz.
Esse exercício de futurologia motivou uma empresa voltada para consultoria em inovação, a MJV, a criar um jogo de cartas - que será lançado em evento da revista "The Economist" , programado para a primeira semana de novembro, em São Paulo - no qual os "jogadores" optam por um entre quatro diferentes cenários.
A "gamerização" é um instrumento cada vez mais útil na captação de ideias, sugestões, propostas e soluções, em especial no que se refere à inovação. De uma maneira geral ainda é comum vincular inovação a avanços tecnológicos, particularmente na indústria. Mas ela pode ir bem mais além. Engenheiros e tecnólogos hoje recorrem inclusive às artes para sair do específico e encontrar uma forma abrangente de pensar a inovação. Assim surgiram os designers da inovação.
Inspirada nessa inovação no jeito de pensar a própria inovação, a MJV incorporou à sua equipe mestres e doutores em antropologia e música, por exemplo, buscando respostas não apenas sobre como fazer, mas sobre o quê fazer. Seus principais clientes são bancos e companhias de seguros.
Porto e Giambiagi acompanharam o "desenho" do jogo de cartas, cujo primeiro resultado prático será colhido no evento da revista inglesa. A propósito, no livro de ambos, a expectativa é que a taxa de investimento da economia brasileira evolua dos atuais 19% para 24% do PIB em 2011. E que taxa de poupança doméstica fique um pouco abaixo disso (22% a 23% do PIB), o que seria capaz de sustentar uma meta de crescimento médio anual de 4,5% para o país no período.