11/07/2011
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Brasil Energia
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fiogf49gjkf0d Instalação de um aerogerador de 2,5 MW, em um torre de 10m de altura, exige treinamento
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Estudo alerta para risco de escassez de mão de obra qualificada, em segmentos específicos como geração e comercialização.
O aumento de 4,7% ao ano no consumo de energia elétrica no país nesta década - previsto pela EPE no Plano Decenal de Expansão de Energia 2020 - acendeu a luz amarela no setor elétrico. Os investimentos de R$ 236 bilhões previstos ao longo do período e a competição com outras áreas da economia vão gerar uma forte demanda por mão de obra qualificada, que o setor se questiona se estará disponível.
Levantamento concluído em junho pela consultoria Macroplan alerta para a possibilidade de escassez de mão de obra nos segmentos de geração e comercialização. "A variação salarial muito acima da média em algumas ocupações pode indicar uma escassez de mão de obra para essas funções, por isso o salário aumentaria mais", avalia a consultora Adriana Fontes, da Macroplan, responsável pelo trabalho.
O estudo, feito a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais/MTE), revela que as duas ocupações que mais demandam atenção são as de supervisor administrativo e de engenheiro civil e afins, que apresentaram variação salarial de 33,40% e 20,36%, respectivamente, apenas no último ano. Nos últimos quatro anos, a variação salarial da indústria elétrica ficou próxima da média brasileira.
A remuneração média do setor elétrico brasileiro é de R$ 4.864,00, superior à média brasileira, de R$ 1.588,00, e dos serviços industriais de utilidade pública, R$ 2.786,00. Os segmentos de comercialização e geração têm salário médio de R$ 5.275,00 e R$ 7.036,00, respectivamente.
Expansão
Na área de geração, o principal gargalo é energia eólica. Este ano, o Brasil chegou ao seu primeiro gigawatt instalado e terá de quadruplicar este número até 2013.
Os investidores do segmento, porém, discordam. "Não falta mão de obra qualitativa, e sim quantitativa. A capacidade instalada do sistema como um todo precisará crescer entre 5,5% e 6,5% ao ano", afirma o diretor-executivo da Abeeólica, Pedro Perrelli. Ele ressalta, no entanto, que é preciso treinamento em condições de trabalho específicas, como a instalação de um aerogerador, de 2,5 MW de potência, em uma torre de 110 m de altura.
Qualificação
No setor de comercialização, o problema é qualificação. O profissional que atua no mercado livre precisa ter um amplo conhecimento do setor elétrico brasileiro, de regulação e de economia. Segundo relatórios da Abraceel, em geral, o profissional do setor, quando deixa uma comercializadora, é contratado por outra concorrente em menos de um mês.
Outro aspecto identificado pela entidade é que os cursos universitários, sobretudo de economia e engenharia elétrica, em geral, não dedicam muitas horas ao tema mercado livre. A fim de eliminar essa barreira, a Abraceel firmou uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) para a realização de cursos de formação de operador e de gestor de mercado de energia.
Faixa etária elevada
O estudo da Macroplan também traçou o perfil da empregabilidade do setor elétrico. Além da remuneração acima da média nacional, outras três características se destacam: a pequena participação de mulheres no efetivo total, o alto nível de escolaridade e a elevada faixa etária, em comparação com a média brasileira.
As mulheres respondem por quase 20% da mão de obra do setor elétrico. Na média brasileira, a participação feminina chega a 40%. Com relação ao grau de instrução, 32% dos empregados no setor elétrico possuem ensino superior, mais que o dobro da média brasileira. Nos segmentos de geração e comercialização esse número é ainda maior - 38% e 60%, respectivamente.
Sobre a faixa etária do contingente do setor elétrico, 23% dos colocados possuem 50 anos ou mais. Em 2000, esse número era de apenas 9%. Como o crescimento do número de vagas no setor é menor que o da média nacional - 17% contra 68%, nos últimos dez anos ? existe uma preocupação quanto à renovação dos postos de trabalho no mercado elétrico.
Distribuição regional
Houve mudanças também na distribuição das vagas de trabalho no país. Enquanto a participação da região Sudeste caiu de 43,9% para 40,7%, nos últimos quatro anos (totalizando 47.745 empregados), as fatias das regiões Nordeste e Sul aumentaram de 17,3% para 18,6% e de 21,4% para 25,1%, respectivamente. Hoje existem 21.830 postos de trabalho no Nordeste e 29.454 no Sul.
Outro dado revelador é que os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul ultrapassaram Minas Gerais, berço do setor elétrico brasileiro, na quantidade total de empregados. São 11.282 vagas no Paraná e 10.873 no Rio Grande do Sul, contra 10.570 em território mineiro.
A terceirização em Minas, porém, explica os números. De acordo com o último relatório anual da Cemig, o número de empregados da estatal mineira caiu de 10.422, em 2008, para 7.065, em 2010. No primeiro trimestre do ano passado, houve, ainda, um aumento de 18,71% nas despesas de serviços de terceiros, na subsidiária de distribuição.