06/07/2011
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A Gazeta
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Duas imagens que marcaram o noticiário na semana passada ajudam a ilustrar o drama que o Brasil vive hoje. A primeira é a maior ponte do mundo, inaugurada na China, com 42 quilômetros, uma obra de US$ 2,3 bilhões, feita em apenas quatro anos. A outra imagem é o asfalto ruindo na Rodovia do Contorno, também conhecida como Rodovia da Morte, obra que se arrasta há 10 anos. A China não chega a ser um modelo de gestão porque é uma ditadura violenta. Mas há algo de errado numa democracia que não consegue fazer uma estrada, um aeroporto ou um quiosque.
O Brasil está prestes a completar 200 anos como nação independente, um bom momento para balanços e reflexões. O livro "2022 - Propostas para um Brasil Melhor no Ano do Bicentenário", coordenado pelos economistas Fabio Giambiagi e Claudio Porto, com mais de 30 colaboradores, é uma ótima contribuição para o debate.
O jornalista Laurentino Gomes, no livro "1822", observa que, no ano da Independência, o Brasil tinha tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros libertos ou índios, a população era pobre e analfabeta, o país tinha uma economia agrária rudimentar e a rivalidade entre as províncias indicava que o território se dividiria como as colônias espanholas. "No entanto, o Brasil conseguiu manter a integridade de seu território e se firmar como nação independente", afirma Laurentino.
O país cresceu, amadureceu e virou uma potência. Em "2022", os autores assinalam que, nos últimos 50 anos, em particular, houve uma série de transformações muito positivas. Entre elas: a consciência das possibilidades do país, uma herança dos anos JK; o crescimento econômico entre meados dos anos 60 e 80; a consolidação da democracia a partir de 1985; a abertura econômica; a estabilização iniciada com o Plano Real em 1994, e a redução da desigualdade, com programas pioneiros para o meio rural ainda em 1970, e o aprofundamento das políticas sociais nos últimos dez anos.
Tudo isso levou o Brasil a ter hoje uma classe média de mais de 90 milhões de pessoas, um mercado interno dinâmico e em expansão, uma economia diversificada. O país é uma potência emergente, com influência global cada vez maior. "Mas possui deficiências estruturais que, se não forem minimizadas ao longo da década, impedirão um crescimento econômico mais robusto", argumentam os autores do livro. As deficiências incluem o baixo nível de escolaridade, os gargalos na infraestrutura, a má qualidade do gasto público, a burocracia e a carga tributária.
O país pode reduzir a pobreza, ampliar os investimentos e crescer até 5,5% ao ano com inflação baixa, de até 2%, se promover reformas estruturais e superar o preconceito contra o capitalismo. Esse seria o melhor cenário previsto em "2022", que será lançado amanhã, no auditório da Rede Gazeta, em debate com Fabio Giambiagi e Claudio Porto. O problema é que, no momento, estamos sem uma agenda de reformas.
A epígrafe do livro traz uma frase de Georges Clemenceau, político francês que fez um alerta aos argentinos entusiasmados com a situação do país, no início do século passado: "O êxito costuma perder as nações imaturas".