17/06/2011
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Jornal da Paraíba
A Paraíba precisa formular projetos estruturantes, investir fortemente em educação e realizar planejamento de longo prazo para aproveitar a onda de crescimento da economia da Região Nordeste e inserir o Estado no contexto regional, que vem crescendo acima da média nacional. Essas são algumas orientações do consultor e economista paraibano Claudio Porto, que lançou, ontem, em João Pessoa, o livro "2022: Propostas para um Brasil melhor no ano do bicentenário", que reúne 17 artigos assinados por 31 autores que traçam possíveis cenários de crescimento para o Brasil até 2022, organizado por Porto e Fábio Giambiagi.
Segundo Claudio Porto, o último grande projeto estruturante que a Paraíba realizou "foi a criação da UFPB. Isso tem mais de 40 anos. Precisamos de negócios para e não mais de Bolsa Família. É preciso que o Estado recupere a capacidade de formular projetos para aproveitar a onda na Região. Não podemos mais ficar lamentando porque a onda de oportunidades passou e não fizemos a nossa parte.
Um dos maiores entraves que limita o crescimento mais forte do Nordeste nos próximos anos - e na Paraíba não é diferente - não serão apenas as obras de infraestrutura, mas o déficit educacional. Precisamos investir pesado em educação para qualificar mão de obra, ampliar pesquisa, elevar inovação e melhorar nossos indicadores educacionais se quisermos potencializar o crescimento. Estamos no século que tem como principal ativo o conhecimento", declarou o consultor, que destacou inúmeras potencialidades das duas principais cidades do Estado.
"A Grande João Pessoa não precisa de chaminés para ser uma cidade com potencial econômico tampouco perder seu diferencial que é uma cidade com qualidade, atrativa para viver e morar. Não é à toa que a cada ano muitas pessoas deixam centros maiores para morar na cidade. O que é necessário é fortalecer e ampliar o setor de serviços nas áreas de educação, saúde e de lazer, energia renovável, etanol, porém, mas precisa melhorar os acessos e a estrutura viária. Já Campina Grande tem uma vocação para a área tecnológica de software que precisa ser potencializada", revela o economista apontando que "há um triângulo" que poderá ser potencializado: Recife, João Pessoa e Campina Grande. Outra tendência será intensificada também nos próximos anos: o crescimento das cidades médias e, por extensão, a economia do consumo.
Para Claudio Porto, as oportunidades estão dadas para a região Nordeste e, especificamente a Paraíba, "dar um salto no seu crescimento econômico captando as oportunidades do novo ciclo de crescimento nacional. As condições são a capacidade do estado de abrir oportunidades e atrair empresas privadas em setores estratégicos e , no setor público, investir em uma gestão profissional focada em resultados e no saneamento financeiro", afirma.
Com a expansão do emprego e renda, surgiu a nova classe média, chamada C, que gerou uma economia do consumo que vem mantendo o crescimento da economia em alta do país e principalmente do Nordeste. "Esse fenômeno é mundial e a primeira década do século 21 trouxe isso fortemente para os países que formam os BRICS, principalmente Brasil, China e Índia. A China tem forte demanda por alimentos e isso gera oportunidades de negócios. No Nordeste, por exemplo, temos nos próximos anos fortes investimentos do PAC e da Copa do Mundo que vão gerar oportunidades de negócios, mas as empresas e os estados precisam estar atentos e preparados para as demandas. É uma janela de oportunidade", apontou.